Cristovam e Jorge Viana destacam papel da Cepal na economia da América Latina

Da Redação | 18/12/2018, 12h18 - ATUALIZADO EM 21/12/2018, 10h31

Em mais uma reportagem em homenagem aos 70 anos da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão da ONU criado para auxiliar a região em seus processos de desenvolvimento sócio-econômico, a Rádio Senado e a Agência Senado destacam a iniciativa do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) de realizar uma sessão especial no Plenário do Senado para celebrar os 70 anos da instituição.

Cristovam, que também é professor de economia na Universidade de Brasília (UnB), ressalta que a Cepal tornou-se a principal propulsora da necessidade de mudanças estruturais nas economias latino-americanas, priorizando teses ligadas à industrialização da região, e sua inserção na economia mundial baseada em trocas de produtos mais elaborados.

“A pedra fundamental de criação da Cepal refere-se à forma como a América Latina se inseria na economia mundial. Até então, a teoria econômica clássica sugeria que essa região deveria centrar suas atividades econômicas na produção de bens primários, nos quais tinham vantagem comparativa. A Cepal, baseada no pensamento de seu principal economista à época, Raul Prebisch, muda essa perspectiva ao mostrar a existência de tendência de declínio de longo prazo nos termos de troca, produzindo assim uma transferência de renda desses países àqueles que se especializavam na produção de bens industriais”, frisou o senador em seu requerimento.

O legado da Cepal

Na justificativa para a realização da homenagem à Cepal, Cristovam relata também que, com o passar das décadas, a Cepal manteve seu pensamento “dinâmico, seguindo as imensas transformações da realidade econômica, social e política, regional e mundial. Desde o esforço inicial pela industrialização nos anos 1950, reformas para desobstruir a industrialização, reorientação de estilos de desenvolvimento nos anos 1970, superação do estrangulamento da dívida externa na década perdida [anos 1980], e a transformação produtiva [anos 1990]”.

“Hoje a Cepal é uma referência obrigatória para quem estuda a história econômica da região nos últimos tempos", continuou Cristovam. Entre outras questões, na pauta atual do órgão estão o aumento das desigualdades e a crise ambiental. "Ao longo da última década, a agência das Nações Unidas implementou uma agenda de trabalho que elegeu a igualdade como núcleo do desenvolvimento sustentável e o avanço tecnológico como motor de transformações na matriz produtiva regional”, finalizou o senador.

Apesar de a iniciativa de Cristovam ter sido apoiada por outros cinco senadores — Eduardo Lopes (PRB-RJ), Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), José Serra (PSDB-SP), Lasier Martins (PSD-RS) e Maria do Carmo Alves (DEM-SE) — o requerimento para a realização da sessão (RQS 261/2018), apresentado em maio, não chegou a ser aprovado porque alguns dos homenageados não poderiam estar presentes na data reservada pela Mesa Diretora do Senado para realização da homenagem (4 de junho).

Agenda 2030

Hoje a Cepal está engajada na adesão das nações latino-americanas às políticas públicas preconizadas pela Agenda 2030 da ONU, que é centrada no desenvolvimento sustentável. O senador Jorge Viana (PT-AC) defende o aprofundamento desta agenda no Brasil.

— O modelo atual de produção e consumo é insustentável, o fenômeno das mudanças climáticas são um reflexo muito claro disso, com custos elevadíssimos. Mas devo falar também como uma das 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia, cuja maioria ainda vive na penúria, na pobreza, com indicadores socioeconômicos muito baixos. Isso ocorre porque o Brasil ainda não valoriza de fato sua biodiversidade, não estabelece uma cadeia da economia verde. A mudança do paradigma deve passar pela remuneração dos serviços ambientais, ligada à preservação de uma das maiores biodiversidades deste planeta — afirmou o senador em entrevista à Agência Senado.

Série completa

Na sequência da série sobre a Cepal, na quinta-feira (20) a Agência Senado publicará uma entrevista com Cristovam, em que serão abordados o papel do Estado na economia, a longa relação que manteve com o economista Celso Furtado e o papel crucial que desempenha a educação nos processos de desenvolvimento modernos.

Na Rádio Senado, no programa “Conexão Senado”, às 8h30, com reprise às 22h, continua sendo veiculado o episódio da série que aborda as trajetórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do senador José Serra (PSDB-SP) na instituição.

Tenha acesso à série de reportagens completa aqui.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)