Teoria da Dependência é tema do primeiro programa da série ‘A Cepal e o Brasil’

Da Redação | 17/12/2018, 10h10 - ATUALIZADO EM 21/12/2018, 10h31

A Rádio Senado e a Agência Senado apresentam a partir desta segunda-feira (17) uma série de reportagens com o tema “A Cepal e o Brasil”, em alusão aos 70 anos da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão criado pela ONU em 1948 para auxiliar a região a superar o subdesenvolvimento sócio-econômico.

A série será veiculada até sexta-feira (21) por meio de reportagens de 5 minutos de duração no programa “Conexão Senado”, da Rádio Senado, às 8h30 da manhã, e por matérias para o portal do Senado. Os programas da rádio também serão reprisados diariamente às 22 horas.

O programa de abertura, veiculado na Rádio Senado, tem como destaque a Teoria da Dependência, cujo enfoque político por parte de Fernando Henrique Cardoso e do sociólogo chileno Enzo Faletto na Cepal exerceu grande influência, sendo estudado internacionalmente até hoje em cursos de economia e sociologia.

Um dos entrevistados da série é o economista Ricardo Bielschowsky, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador da coletânea “50 anos de pensamento na Cepal”, lançada em 1998 e atualizada em 2008 e 2018.

— O site da Cepal é visitado anualmente por mais de 4 milhões de internautas, e os mais de 30.000 documentos produzidos e catalogados pelo órgão recebe outros 2,5 milhões de visitas. Isso só acontece porque o enfoque histórico-estruturalista permanece muito ligado à realidade atual. A Cepal ainda tem a melhor base de dados, estatísticas e indicadores sobre a América Latina em todo o planeta, e quem quer conhecer e refletir sobre os diversos temas da região tem que consultá-los — afirmou Bielschowsky.

José Serra

Outro entrevistado é o senador José Serra (PSDB-SP), que atuou na Cepal na segunda metade da década de 1960, na sede da instituição em Santiago do Chile. Ele havia deixado o Brasil após o golpe militar de 1964, quando ocupava a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) e era visado pelo aparato repressivo ligado ao regime, que acabou condenando-o à prisão à revelia.

— Cheguei à Cepal em 1965 como estudante. O Fernando Henrique Cardoso inclusive já dava aulas por lá. E fiz o curso da Cepal em Santiago. Foi quando eu comecei a estudar economia de forma sistemática. Isto me possibilitou trabalhar depois em organismos internacionais, inclusive na própria Cepal por um período. Mas devo dizer que houve um problema no meu caso, porque o governo brasileiro, na época o regime militar, na ONU, vetou uma contratação minha de mais longo prazo por parte da Cepal. E isto me atrapalhou profissionalmente, uma coisa incrível, algo que... Mas enfim, concordo com o entendimento de que a Cepal sem dúvida exerceu a mais forte influência no pensamento econômico latino-americano — disse Serra em entrevista à Agência Senado.

Mais entrevistados

Também concederam entrevistas para a série o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que apresentou, junto com outros senadores, requerimento para que o Senado realize uma sessão de homenagem aos 70 anos da Cepal (RQS 261/2018); o senador Jorge Viana (PT-AC), que falou sobre a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, iniciativa da ONU que tem entre seus coordenadores a Cepal; e o senador Walter Pinheiro (sem partido-BA), que abordou o legado de Celso Furtado e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Furtado estruturou o órgão em 1959, durante a gestão de Juscelino Kubitschek na presidência da República, tendo sido seu primeiro presidente. Assumiu a Sudene após 8 anos como diretor de Desenvolvimento da Cepal, o que contribuiu decisivamente para a linha de atuação da Sudene em seus primeiros anos.

No final de semana será veiculada uma reportagem especial, que também trará uma entrevista com o coordenador do escritório da Cepal no Brasil, o economista Carlos Mussi.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)