Cacau brasileiro pode voltar a ter destaque internacional, dizem debatedores

Da Redação | 21/03/2018, 17h40 - ATUALIZADO EM 21/03/2018, 20h45

O chocolate do Brasil pode ganhar novo destaque no comércio internacional se o país tiver políticas públicas que estruturem a assistência técnica e garantam suporte financeiro à produção. A avaliação é dos participantes de audiência realizada nesta quarta-feira (21) na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).

Segundo o pesquisador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) Antônio Zugaib, em 2016 o Brasil foi o terceiro maior produtor de chocolate do mundo, com 710 mil toneladas, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. O Brasil também é o terceiro maior consumidor mundial do produto, com 709 mil toneladas ao ano, atrás também dos Estados Unidos e da Alemanha. Mas de acordo com levantamento apresentado por Zugaib, de 2011 a 2016 houve aumento de quase 80% na importação brasileira de chocolate.

— O aumento da importação me preocupa, porque temos capacidade para fazer um chocolate de primeira. Mas precisamos aumentar a produção brasileira de cacau.

O secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia, Jeronimo Rodrigues, destacou que o momento é de transição para o setor cacaueiro. Só há pouco tempo, segundo ele, o setor deixou de se preocupar só com o plantio do cacau e passou a se identificar também com o processo de produção do chocolate. Rodrigues afirmou, no entanto, que o país precisa de uma política pública organizada, com pesquisa e inovação, para garantir a qualidade do cacau.

— Essa discussão não é uma agenda só da Bahia, embora ocupemos um espaço maior. É do país como um todo.

Projeto

Segundo determinação da Anvisa, para que um produto seja comercializado no Brasil como chocolate, ele deve conter 25% de cacau em sua composição. Em outros países, o valor varia de 32% a 35%. Para estimular a cadeia produtiva brasileira, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) apresentou projeto que estabelece o aumento do percentual mínimo de cacau no chocolate de 25% para 35%.  O PLS 93/2015 está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

— Precisamos inverter a lógica do brasileiro de pensar que só existe chocolate de qualidade no exterior. Quer um bom chocolate de qualidade? Compre aqui. Com esse percentual de 35% de amêndoa de cacau, nós entramos no padrão do mercado internacional e podemos exportar nosso chocolate com uma competitividade maior — afirmou Lídice.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)