Empresários do ramo imobiliário cobram redução dos juros e da burocracia

Paulo Sérgio Vasco | 07/12/2017, 19h24 - ATUALIZADO EM 08/12/2017, 10h14

Representantes do setor imobiliário cobraram nesta quinta-feira (7) a redução dos juros para o financiamento da casa própria. Eles também pediram um marco regulatório para as rescisões de contrato, os chamados distratos, e a diminuição da burocracia na construção dos empreendimentos, a fim de tornar segura a atuação do setor.

Em audiência pública interativa na Comissão Senado do Futuro (CSF) sobre o futuro do mercado, o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Júlio Cesar Peres disse que a expectativa é de que haja melhorias no primeiro semestre de 2018, com a recuperação do emprego e a realização das eleições diretas, que “deixarão um horizonte mais claro para as incorporadoras e o mercado”.

A partir de 2012, disse Peres, os principais problemas enfrentados pelo setor imobiliário foram a saída dos investidores especuladores; a longa espera para obtenção de alvará dos imóveis; o aumento do desemprego; os juros altos; a retirada de empresas que não eram do ramo imobiliário e a redução de preço, ocasionando distratos que chegaram a mais de 90% em alguns investimentos e expondo insegurança jurídica das incorporadoras.

Presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi/DF), Paulo Roberto de Morais Muniz disse que o mercado imobiliário sofreu nos últimos anos e que, além das dificuldades na aprovação de projetos, houve problemas na liberação do “habite-se” de alguns empreendimentos, levando mais de dois anos para a obtenção do documento.

Muniz disse ainda que a recessão econômica provocou desequilíbrio entre as construtoras e os clientes, ocasionando distratos que puseram em risco os empreendimentos. Ele ressaltou ainda que a indústria da construção civil trabalha com cenários de longo prazo, que dependem do cenário econômico e da confiança dos empresários. Muniz disse ainda que o mercado pode ficar muito limitado apenas com os recursos do FGTS e da poupança.

Presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, João Teodoro aposta na recuperação futura do mercado imobiliário, apesar do crescimento tímido do setor. Ele estima que a participação da cadeia produtiva imobiliária no Produto Interno Bruto (PIB) seja de 18%. Ressaltou que o deficit habitacional atual, “que continua crescente”, é de 5,2 milhões de unidades, e defendeu a ampliação da oferta de financiamentos habitacionais

— Tivemos o período de boom de 2005 até meados de 2012, com o superaquecimento do mercado. A abundância de recursos financeiros no período acostumou mal o mercado, que se acostumou a ganhar dinheiro, e os incorporadores acreditaram demais no período e acabaram estocando terrenos e produtos, construindo muito além daquilo que construiríamos — afirmou.

Ampliação do crédito

Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF), Hermes Rodrigues de Alcântara Filho defendeu a ampliação na concessão de crédito imobiliário a taxas mais condizentes com as praticadas no mercado, favorecendo o cliente na aquisição da casa própria. Ele também cobrou a atualização da legislação que rege a categoria, como forma de ampliar o espaço de atuação profissional dos corretores.

Empresário da construção civil, ex-senador e ex-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio defendeu a valorização dos corretores de imóveis e arquitetos, além do equilíbrio no mercado, incentivo ao mercado pelos governos estaduais e municipais, compromisso com a estética e a beleza das construções, regularidade e constância na concessão de financiamentos pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Presidente da Comissão Senado do Futuro e autor do requerimento para a realização de debate, o senador Hélio José (Pros-DF) disse que a redução da taxa Selic pode favorecer o crescimento do mercado imobiliário.

— O mercado imobiliário é um dos principais da economia e gera milhões de empregos. É de R$ 117 bilhões o crédito a ser concedido pelos bancos ainda neste ano, incluindo recursos da poupança e do FGTS. A construção civil emprega aproximadamente dois milhões e meio de trabalhadores. É questão fundamental aquecer a construção civil — afirmou.

O presidente do Sindimóveis-DF, Geraldo Nascimento, e o presidente da Associação dos Corretores de Imóveis do Distrito Federal, Rodrigo Barreto, também defenderam a valorização do profissional que atua no setor.

— Estando bem para o mercado imobiliário e para a empresa, também estará bem para o corretor, que é o elo entre o cliente e a empresa construtora — afirmou Barreto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)