Audiência aponta preocupação da sociedade com mudanças em refinaria no RN

Da Redação | 08/11/2017, 15h00 - ATUALIZADO EM 08/11/2017, 17h08

A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) discutiu nesta quarta-feira (8) com representantes do setor petroleiro os planos de investimento e gestão da Petrobras no Rio Grande do Norte. Os convidados demonstraram preocupação com a possibilidade de que mudanças na administração da refinaria gerem queda de investimentos e de produção.

A Refinaria Clara Camarão voltará a ser gerenciada pela Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras. Atualmente, a administração é feita pela Diretoria de Refino e Gás Natural. Durante a audiência pública, o representante da Petrobras Tuerte Rolim afirmou que se trata apenas de uma otimização da estrutura de gestão e garantiu que não haverá demissões.

— É muito natural essa integração que a Petrobras está fazendo. Com o agravamento da nossa crise, então, todo mundo está fazendo a sua gestão para fazer frente a essa fase — afirmou.

Já o presidente do Sindicato e Empresas do Setor Energético do Rio Grande Norte, Jean-Paul Prates, alertou que a medida pode gerar queda na produção.

— Quanto será que nós estamos economizando com essa mudança? R$ 500 mil, R$ 1 milhão? O que é isso para a Petrobras? Agora, para o Rio Grande do Norte, isso faz uma diferença gigantesca — ponderou.

Para o diretor do Sindicato dos Petroleiros do estado, José Antônio de Araújo, haverá redução de investimentos.

— Está constatado que o AIP [Acordo de Individualização da Produção] reduziu seus investimentos em 77%, então é uma preocupação. Se eu retiro a refinaria de lá e a jogo para o AIP, ela vai estar afetada também nessa questão do desinvestimento — disse.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) acredita que a mudança vai tirar a autonomia da refinaria.

- Ela é motivo de muito orgulho para nós, fruto de muita luta. É uma unidade tão lucrativa que, inclusive, recebeu da própria ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis] a autorização para ampliar sua capacidade de refino — declarou.

Segundo dados da própria Petrobras, a Refinaria Potiguar Clara Camarão produz diesel, nafta petroquímica, querosene de aviação e, desde setembro de 2010, gasolina automotiva, o que tornou o Rio Grande do Norte o único estado do país autossuficiente na produção de todos os tipos de derivados do petróleo. A refinaria é situada no Polo Industrial Petrobras de Guamaré.

A unidade industrial foi batizada em homenagem a uma das mulheres heroínas do Rio Grande do Norte. Clara Camarão foi uma índia potiguar que, rompendo barreiras culturais e de época, reuniu um grupo de guerreiras de sua tribo e participou, no século 17, de batalhas contra invasores holandeses no litoral do Nordeste. Ela adotou o sobrenome do marido, Felipe Camarão, também líder contra as invasões holandesas.

Com informações da Rádio Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)