Brasil disputa mercado da América Latina com a China, diz indicado para o Mercosul e a Aladi

Sergio Vieira | 17/08/2017, 16h00 - ATUALIZADO EM 23/08/2017, 18h02

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta quinta-feira (17) a indicação do diplomata Bruno de Risios Bath para exercer o cargo de delegado permanente do Brasil junto ao Mercosul e à Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), cujas sedes administrativas ficam em Montevidéu. A indicação segue para a decisão do Plenário.

Durante a sabatina Bath ressaltou a importância do mercado latino-americano para o setor exportador brasileiro. Quanto os países que fazem parte da Aladi, o Brasil tem superavit comercial, com um índice de 85% de produtos manufaturados ou semi-manufaturados na pauta exportadora.

O Brasil é signatário de 49 acordos regulados no âmbito jurídico da Aladi, entre eles o de fornecimento de gás natural com a Bolívia, de controle integrado de fronteiras, de complementação energética regional, de transporte internacional rodoviário e de modernização de procedimentos aduaneiros, segundo Bath.

— A Aladi é o foro central das negociações econômico-comerciais do Brasil na America Latina. Estes acordos estão sob uma modelação que estabelece regras estáveis, com baixa ou nenhuma incidência de tarifas de importação — disse.

Além do Brasil e da Bolívia, fazem parte da Aladi a Argentina, o Chile, a Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, somando mais de 500 milhões de consumidores.

Bath apresentou uma tabela demonstrando que todos os estados brasileiros exportam para o mercado da Aladi, algo que não se dá por exemplo nas exportações para a China ou os EUA, que é bem mais concentrada em algumas unidades da Federação.

China

O diplomata observa que hoje o grande desafio do Brasil neste mercado é a concorrência com a China, que disparou sua inserção econômica dentro destas nações.

Segundo dados de 2005 a 2015, a participação do gigante asiático na pauta importadora dos países da Aladi passou de 7,5% para 19%. No mesmo período, a participação de produtos brasileiros encolheu de 7,5% para 5%.

Por isso o Itamaraty tem, dentre outras estratégias, procurado aprofundar os acordos com os países que fazem parte da Aliança do Pacífico (México, Chile, Colômbia e Peru), segundo informou Bath.

Outro foco de sua atuação no âmbito da Aladi, segundo informou o diplomata caso tenha sua indicação confirmada, será reforçar os mecanismos de compras governamentais por parte dos países do bloco, relacionadas a produtos brasileiros. Outro desafio que o Brasil tem é estabelecer incentivos para que as empresas de nosso país possam formar cadeias regionais de valor, facilitando a obtenção de insumos em outras nações.

Quanto ao Mercosul, Bath reforçou que a Aladi é depositária também de todos os acordos econômico-comerciais firmados no âmbito do bloco.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)