União Europeia precisa melhorar proposta agrícola para obter acordo com Mercosul, diz diplomata

Sergio Vieira | 11/08/2016, 15h44 - ATUALIZADO EM 11/08/2016, 17h10

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta quinta-feira (11), por unanimidade, a indicação do diplomata Everton Vieira Vargas para a chefia da representação brasileira junto à União Europeia (UE), cuja sede fica em Bruxelas, na Bélgica.

Uma das questões mais abordadas pelos senadores durante a sabatina foi o possível acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Vieira Vargas falou sobre o "aferramento" que a União Europeia tem por sua "política agrícola comum", investindo 38% de seu orçamento nesse setor, num montante que chegará a cerca de 410 bilhões de euros entre 2014 e 2020.

— E 76% disso vai direto pros agricultores e para a organização de seus mercados. E outros 95 bilhões de euros vão para o desenvolvimento da área rural — detalhou.

Mercosul

No que tange ao acordo Mercosul-UE, Vieira Vargas deixou claro que o bloco sul-americano espera que os europeus melhorem "substancialmente" a proposta que apresentaram no capítulo agrícola. A União Europeia ainda não incluiu nas negociações produtos como o etanol, açúcar bruto e carne bovina. O diplomata também reiterou que interessa ao Brasil e ao Mercosul estimular a base industrial, em vez de "destruí-la" em nome de um acordo com os europeus.

Para a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), "todos são a favor de liberalizar as trocas comerciais, desde que não afetem as áreas onde atuam". Vieira Vargas concordou e disse que o setor empresarial brasileiro também precisa adotar uma postura mais "aberta" em relação a essas negociações. Ele deixou claro que haverá um prazo de transição entre a assinatura do possível acordo e sua efetivação, que poderá chegar a 15 anos.

Outro empecilho em relação ao acordo Mercosul-UE surgiu com a saída do Reino Unido do bloco europeu, uma vez que os britânicos eram favoráveis a ele, com postura mais aberta, em vez de mais protecionista, nas negociações com outros blocos.

Em relação a pontos convergentes, Vieira Vargas apontou a questão ambiental. Para ele, o estabelecimento de padrões regulatórios e parcerias no setor fará com que caiam as emissões poluentes por parte dos sul-americanos.

Investidor

Referindo-se mais diretamente às relações Brasil-UE, o diplomata ressaltou que o bloco europeu, se tomado em conjunto, é o maior investidor no mercado brasileiro. O estoque já supera 343 bilhões de euros, o que nos torna o terceiro maior destino do dinheiro europeu em todo o mundo.

— Eles só investem mais nos EUA e na Suíça [que não faz parte do bloco]. Tem mais recursos deles aqui do que no Canadá ou na Rússia, por exemplo — frisou.

Já o estoque de investimentos de companhias brasileiras no bloco europeu chega próximo a 115 bilhões de euros, o que torna o Brasil o quinto maior investidor na União Europeia.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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