Carta de Temer acirra discussão sobre fidelidade do PMDB ao governo Dilma
Patrícia Oliveira | 08/12/2015, 18h35
Entre os senadores do PT e da oposição, a opinião é de que a carta de Michel Temer para a presidente da República Dilma Rousseff foi motivada por razões pessoais. Tornada pública, a insatisfação do vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB inflamou ainda mais as discussões em torno do processo de impeachment de Dilma. Enquanto os petistas se esforçam para evitar mais acirramento dos ânimos, os oposicionistas apostam na ruptura de uma ala do PMDB com o governo.
Para Alvaro Dias (PSDB-PR), ao assinar a carta, Michel Temer “passa a ser um cabo eleitoral do impeachment”. No entendimento do senador, a carta do vice-presidente também é a revelação de desavenças motivadas por “interesses pessoais não republicanos”, uma ação política por ambição e poder.
— [A carta] guarda uma relação estreita com o que é mesquinho e o oportunismo, não é um gesto de grandeza, mas de qualquer forma é o anuncio de voto favorável ao impeachment, que agora eles defendem, como nós da oposição. Verificamos que há aí um reforço considerável na tese do impeachment — afirmou.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), diz que o partido reconhece o papel importante do vice Michel Temer na articulação política do governo. Para o petista, a carta é mais um “desabafo pessoal” do vice-presidente do que um posicionamento político.
— Ele deixou muito claro em alguns momentos, especialmente nessa última reforma ministerial, que não havia interesse da parte dele de discutir uma participação por intermédio de pessoas da sua ligação. Então, eu creio que parece ser um argumento de menor força entre todos que ele usa naquela carta — destacou.
O senador defende o entendimento e reforça que o momento é de “somar forças”.
— Temer é um democrata de larga tradição e ele sabe, assim como todos nós, que o momento é de nós baixarmos a temperatura. Não é o governo, é o país que está em jogo — disse o líder do PT.
PMDB
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirma que conversou com Michel Temer e também entende que a carta não é um documento político, mas uma mensagem de desabafo. Renan ressaltou que o episódio não prejudica o PMDB nem as relações com o governo.
— O PMDB é um partido muito grande. É o maior partido do Brasil. É o maior partido congressual e que tem o maior número de governadores. Portanto, é um partido que não tem dono. O PMDB tem que participar do governo em torno de uma coalizão que tenha fundamento, programática, porque se não a discussão vai voltar para essa coisa do cargo, prestigiou ou não prestigiou, ou confia ou não confia. Eu acho que isso não qualifica nem o partido nem a política brasileira — concluiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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