Caiado tenta superar impasse entre moradores de Goiânia e a Celg

Da Redação | 08/12/2015, 20h59

Os integrantes do Movimento Diga Não à Rede de Alta Tensão, que reúne moradores da Rua Francisco Faria, no Parque Santa Rita, em Goiânia, se reuniram nesta terça-feira (8) com dirigentes da Companhia de Energia Elétrica de Goiás (Celg), da Eletrobrás, e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal. Foi uma tentativa de superar o impasse que impede, há mais de um ano, a instalação de uma rede de transmissão de energia de alta tensão sobre residências, escolas e clubes.

A audiência pública foi presidida pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) que reconheceu a dificuldade para um entendimento entre as partes. A saída foi aceitar a criação de uma comissão de mediação formada pela Aneel, Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Crea), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) federal. A próxima reunião, em data a ser definida, entre o Movimento Diga Não à Rede de Alta Tensão, a Celg e a comissão de conciliação será realizada em Goiânia.

Caiado criticou a atitude da Celg, que alega dificuldades técnicas e financeiras para definir um novo traçado para rede de transmissão, considerada a única alternativa aceita pelo Movimento Diga Não à Rede de Alta Tensão. Os moradores do Parque Santa Rica enumeram várias razões para tentar impedir o projeto da Celg e destacam o risco que o campo magnético representa para a saúde das pessoas e a interferência nas ondas de rádio e TV. Temem também da inevitável desvalorização dos imóveis porque alguns postes estão instalados nas calçadas, a menos de dois metros das casas. O senador Ronaldo Caiado reconhece que o assunto criou uma celeuma e agora “a busca de conciliação é extremamente prudente”.

Celg saqueada

O presidente do movimento, Flávio Augusto Correa, explicou que o principal problema dessa rede, planejada pela Celg é que se ela não for concluída “e nós temos certeza de que não será, vai causar um grande dano à sociedade goianense, porque vai faltar energia”. Ele disse que a obra está sendo feita de forma ilegal porque a Celg não providenciou as autorizações legais junto a prefeitura, como um alvará de construção. Lembrou que a empresa sequer fez um estudo de impacto de vizinhança.

O presidente da Celg, Humberto Eustáquio Tavares, reagiu com o argumento de que a empresa há mais de dez anos instala redes de transmissão de energia em Goiânia e nunca foi necessária a emissão de alvarás. Em sua opinião, tudo isso “é muito estranho”. A rede de transmissão, razão da discórdia entre moradores do bairro Santa Rita e a Celg, é considerada de extrema importância para a região metropolitana de Goiânia. O projeto prevê injetar 300 MVa na rede atual, o que corresponde a 1/3 da capacidade instalada, segundo o presidente da Celg.

O senador Ronaldo Caiado reconhece que as preocupações dos moradores nas áreas de influência da rede de transmissão têm alguma razão de ser, uma vez que ainda não se conhece com exatidão os efeitos dos campos magnéticos de redes elétricas e até de aparelhos celulares no corpo humano. Ele chamou a atenção dos participantes para o fato de que a discussão não está sendo conduzida por pessoas que eventualmente transitam pela Rua Francisco de Farias.

— São pessoas que moram ali, que vão viver 24 horas sob o efeito de campos magnéticos — enfatizou.

O senador lamentou que a Celg tenha conquistado a posição de pior empresa concessionária de energia elétrica do país. Lamentou os apagões frequentes, principalmente no interior do estado, o que tem provocado uma corrida às lojas que comercializam geradores movidos a gasolina. A crise de energia tem impedido até mesmo que o governo do estado entregue à população de Goiânia 415 casas, que estão concluídas e aguardam a energização da rede.

Para Ronaldo Caiado há um colapso generalizado na área de energia em Goiás, o que exige mais investimentos. Na rápida análise que fez do quadro econômico da Celg, o senador goiano foi categórico:

— A Celg foi saqueada e se transformou em balcão de negócios. Lá, em detrimento da meritocracia prevalece a política baixa numa empresa que já foi modelo e ocupava o terceiro lugar entre as maiores empresas do estado — lamentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)