Jorge Viana aponta inconsistências em denúncias usadas para justificar investigação de Tião Viana
Da Redação | 13/03/2015, 12h03
O senador Jorge Viana (PT-AC) foi à tribuna do Plenário, nesta sexta-feira (13), para defender o governador do Acre, Tião Viana, seu irmão, acusado de ter sido beneficiado com R$ 300 mil vindos de esquema de corrupção na Petrobras. Ele disse que Tião é inocente e tem interesse em provar o mais rápido possível. Também apontou inconsistências nas denúncias.
— Não tenho dúvida de que o Brasil tem a chance de desbaratar uma quadrilha que atuava na mais importante empresa do país. Mas não é possível que no afã de se combater a corrupção e de se fazer justiça, atinjam-se pessoas que não deve e não temem. Pessoas com vida pública honrada, como o cidadão Tião Viana — afirmou.
Jorge lembrou que num processo de dois volumes e mais de 400 páginas o nome de Tião foi citado em quatro linhas pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras:
— Paulo Roberto disse que o doleiro Youssef mandaria R$ 300 mil para campanha de Tião Viana ao Senado em 2010 [...] Tião não foi candidato a senador em 2010 e muito menos teve contato com qualquer um dos dois. Paulo disse que doou R$ 300 mil a pedido de Youssef e este nega ter pedido ou doado [...] O que Tião fez foi receber da empresa Iesa, que trabalha com petróleo e gás, R$ 300 mil, com recibo e registro no TRE — explicou.
O senador criticou a imprensa, que, em sua avaliação, não apurou com detalhes o teor da denúncia, já considerando o governador culpado:
— Vejo que por conta de uma declaração de um criminoso, você ganha as capas de jornais — lamentou o parlamentar, que aproveitou para ler uma nota de esclarecimento na qual o governador diz estar "longe dessa podridão".
Jorge Viana também leu opinião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, sobre a presunção de inocência dos citados em inquérito. Para o magistrado, a abertura de inquérito não representa juízo antecipado sobre autoria e materialidade de delito, principalmente quando fundada em delação premiada. Além disso, segundo o decano do Supremo, nenhuma sentença condenatória pode ser proferida com fundamento apenas na delação.
— O Brasil precisa tomar cuidado para que se possa apurar não deixando nenhuma chance para a impunidade, mas temos de tomar cuidado quando estamos lidando com delação premiada. Você ganha prêmio se apontar o dedo contra alguém. É muito perigoso isso, porque se vai lidar com um bandido, com um criminoso, que pode ganhar muito, se apontar o dedo contra alguém — alertou.
O senador disse ainda que o governador Tião Viana quer que o caso dele seja apreciado o mais rápido possível.
— Temos consciência, tranquilidade e certeza de que o nome de Tião deveria estar nesse mar de lama. Eu sei que há outros inocentes. Mas eu sei também que há culpados. Está comprovado que há partidos que montaram um esquema com esses operadores. Mas aí não cabe a mim julgar, nem condenar ninguém; cabe à Justiça. Mas a indignação aqui contra a injustiça tem que estar presente — concluiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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