Dia Nacional da Bossa Nova relembra ícones da MPB

Da Redação | 24/01/2011, 20h43

Há 53 anos, o baiano João Gilberto gravava a canção Chega de Saudade, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Quatro anos mais tarde, a mistura de samba com influências do jazz americano chegava a mais importante casa de espetáculos do mundo, o Carnegie Hall, em Nova York. Era a Bossa Nova garantindo seu lugar na história da música.

Para homenagear um dos movimentos culturais mais importantes da história do país, o Congresso aprovou em março de 2009 projeto (que resultou na Lei 11.926, de 17 de abril de 2009) instituindo o Dia Nacional da Bossa Nova, a ser celebrado no dia 25 de janeiro. A data coincide com o aniversário de um de seus principais expoentes, o maestro Tom Jobim.

Surgida nos bares e apartamentos de Copacabana, a Bossa Nova garantiu à música popular brasileira projeção internacional. Um de seus maiores clássicos, Garota de Ipanema, de Tom e Vinicius, é até hoje uma das canções mais executadas e regravadas em todo o mundo. Além de Tom, Vinicius e João Gilberto, foi marcante no movimento a participação de Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Carlos Lyra, Nara Leão, Baden Powel, entre outros.

Antonio Carlos Jobim, o homenageado, nasceu no Rio de Janeiro em 1927. Encontrou em Vinicius de Morais, o "poetinha", um de seus parceiros mais constantes, a partir da trilha sonora da peça Orfeu da Conceição, de 1956. Suas composições foram gravadas pelos maiores intérpretes brasileiros do seu tempo. Em 1967, gravou um LP com o norte-americano Frank Sinatra. No piano, produziu algumas das mais belas obras do cancioneiro nacional, como Águas de Março e Passarim, até sua morte, em 1994.

O trecho a seguir se encontra no livro A Onda que se Ergueu no Mar, sobre a história da Bossa Nova, do jornalista e crítico musical Ruy Castro. 

"Todas as vezes que Tom abriu o piano, o mundo melhorou. Mesmo que por poucos minutos, tornou-se um mundo mais harmônico, melódico e poético. Todas as desgraças individuais ou coletivas pareciam menores porque, naquele momento, havia um homem dedicando-se a produzir beleza. O que resultasse de seu gesto de abrir o piano - uma nota, um acorde, uma canção - vinha tão carregado de excelência, sensibilidade e sabedoria que, expostos à sua criação, todos nós, seus ouvintes, também melhorávamos como seres humanos."

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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