Arthur Virgílio: "Chegou a hora de administrar a crise e estamos dispostos a negociar"

Da Redação | 29/10/2008, 16h05

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse nesta quarta-feira (29) que, depois de voar seis anos em "céu de brigadeiro", chegou o momento de o presidente Lula administrar a crise financeira internacional, acrescentando que a oposição está disposta a negociar, "desde que o governo a ouça". Para o senador, o governo não tem demonstrado competência para passar pelo seu primeiro grande teste da crise e já é possível perceber "um certo bater de cabeças" entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda.

- Eu diria que a administração da crise estava indo mais ou menos bem até a Medida Provisória nº 443, que estabeleceu um pânico e levou, num só dia, ao acionamento de dois circuit breakers na Bolsa de Valores. Até então foi um céu de brigadeiro e agora chegou a hora de administrar a crise, chegou a hora do Gabinete de Crise, chegou a hora do diálogo com a nação, chegou a hora de o presidente se abrir para conversar com todo o país, para ouvir as oposições, inclusive - afirmou.

Arthur Virgílio disse que a oposição está às ordens do presidente para apresentar idéias de maneira altiva e soberana em uma mesa aberta, ampla, para discutir as saídas para crise. O senador disse que já havia apresentado cinco emendas à MP 443 visando estabelecer limites ao seu alcance e a obrigatoriedade de licença legislativa para cada caso, compatibilizá-la com a Constituição e tornar obrigatório o procedimento licitatório no caso de contratação de empresas avaliadoras especializadas.

- A Caixa se propõe a ser sócia de construtoras que tem o dever de fiscalizar. Logo, teria o dever de fiscalizar a ela própria, caso esse absurdo acontecesse. Faremos o possível para que isso aí não vingue. Finalmente o governo começa a perceber que a crise é grave, acabaram aquelas piadinhas do tipo "marolinha". Estamos aqui prontos para negociar em termos elevados e altivos em qualquer foro, desde que o governo nos ouça - assinalou.

O senador Gerson Camata (PMDB-ES) disse, em aparte, que se conseguir aprovar o seu projeto de lei complementar que reduz em 1% ao ano a carga tributária, no período de dez anos o Brasil estaria no mesmo nível de países mais desenvolvidos. Ele acrescentou que apenas a esperança dessa redução já seria suficiente para incrementar os negócios, os empregos e a arrecadação do governo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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