Brasil recorda 50 anos da morte do Marechal Cândido Rondon

Da Redação | 18/01/2008, 18h44

Em 19 de janeiro de 2008, o Brasil relembra os 50 anos da morte de Cândido Mariano da Silva Rondon, mais conhecido como Marechal Rondon, militar e sertanista brasileiro que desbravou as regiões Centro-Oeste e Norte nos séculos XIX e XX. Por causa das expedições que comandou, passou a ser habitada a região onde está situado o estado de Rondônia, assim denominado em sua homenagem.

Rondon nasceu em Mimoso (MT) no dia cinco de maio de 1865. Descendente, por parte de mãe, dos índios terenas e bororo, e por parte de pai, dos índios guanás, logo ficou órfão, sendo criado pelo avô. Depois de sua morte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Militar. Ainda estudante, participou dos movimentos abolicionista e republicano e foi aluno de Benjamin Constant. Depois de se formar bacharel em Ciências Físicas e Naturais e tornar-se tenente, em 1890, foi transferido para o setor do Exército que implantava linhas telegráficas por todo o país.

Em 1892, casou-se com Francisca Xavier. A partir daí, durante quase vinte anos, Rondon viajou por todo o país implantando o telégrafo e eventualmente abrindo estradas. Nessas viagens, ele freqüentemente encontrou tribos de índios que não tinham contato com a civilização e, aos poucos, desenvolveu uma técnica de aproximação amigável. Rondon contribuiu também para o reconhecimento e mapeamento de grandes áreas ainda inóspitas no interior do país. A partir daí, levantou vários dados e informações de mineralogia, geologia, botânica, zoologia e antropologia. E encontrou, em 1906, as ruínas do Real Forte do Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.

Já no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, em 1907, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica. Denominada "Comissão Rondon", teve seus trabalhos desenvolvidos entre 1907 e 1915. Nesta mesma época, estava sendo construída a ferrovia Madeira-Mamoré, que junto com o desbravamento e a integração telegráfica promovidos por Rondon, ajudaram a ocupar a região do atual estado de Rondônia.

Em 1910, organizou e passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios, que viria a se tornar a Fundação Nacional do Índio (Funai). Também acompanhou e orientou o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt na sua expedição ao Amazonas, entre 1913 e 1914, ano em que recebeu o Prêmio Livingstone, concedido pela Sociedade de Geografia de Nova Iorque. Foi o líder da expedição Roncador-Xingu, patrocinada pelo governo Vargas, em 1943, com o objetivo de desbravar o Centro-Oeste brasileiro. Em 1952, propôs a criação do Parque Indígena do Xingu e, no ano seguinte, inaugurou o Museu Nacional do Índio.

Ainda em vida, recebeu uma série de homenagens: em 1955, no seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro concedido pelo Congresso Nacional; em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de Rondônia, elevado a estado em 1981; em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo Explorer's Club, de Nova Iorque.

Rondon morreu em 1958, no Rio de Janeiro, com quase 93 anos. Dedicou a vida a promover a colonização do interior brasileiro, pacificando e tratando os índios. Ficou conhecido pelo lema indigenista: "Morrer se for preciso, matar nunca".

Herói

O senador Expedito Júnior (PR-RO) é autor da proposição (PLS 218/07) que inscreve o nome do Marechal Rondon no Livro dos Heróis da Pátria "como exemplo de integração e harmonia entre culturas e civilizações na construção da brasilidade". Segundo a justificação do projeto, a intenção é manter viva, através de um justo reconhecimento, "a memória do herói brasileiro e grande humanista Cândido Mariano da Silva Rondon".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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