Tupi popularizou o rádio pelo país

Da Redação | 27/09/2005, 00h00

Para Chateaubriand, a inauguração da PRG-3 Rádio Tupi significou o início de mais uma incursão dos Diários Associados no jornalismo com sentido de Integração Nacional. Naquele momento (1935), o radio, cuja primeira transmissão no Brasil se deu em 1923, não havia se popularizado no país. Como analisou Antônio Cândido, nos anos 30 e 40, por exemplo, o samba e a marcha, antes praticamente confinados aos morros e subúrbios do Rio, conquistaram o país e todas as classes, tornando-se um produto cotidiano de consumo cultural.

Após a Revolução de 1930, além de haver um desenvolvimento educacional, houve uma verdadeira revolução cultural em relação à República Velha. O modernismo, tão criticado, tornou-se o movimento artístico principal a partir do golpe de Vargas. A cultura predominante era a popular que, com o rádio, desenvolveu-se por todo o Brasil. Dos anos 30 aos 60, o rádio ajudou a criar novas práticas culturais e de consumo por toda a sociedade brasileira.

 No início da década de 1930, em São Paulo (que oferecia os maiores salários do país), um aparelho de rádio custava em torno de 80 e o salário médio de uma família de trabalhadores era de 500 por mês. Em março de 1932, através do Decreto Lei 21.111, o governo regulamentou e liberou a irradiação da propaganda comercial pelo rádio, reiterando que considerava a radiodifusão como um setor de interesse nacional com de finalidades educacionais.

Para Luiz Carlos Saroldi, historiador do rádio brasileiro, as três grandes vertentes do rádio foram a Mayrink Veiga, a Tupi e a Nacional. No pós-guerra, em 1946, o rádio tinha um predomínio de programas musicais e humorísticos, com o jornalismo figurando em segundo plano. Antes mesmo da Rádio Nacional, conforme Saroldi, a Tupi foi pioneira na mania de novelas, lançando um sucesso, Mulheres de Bronze.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: