Pedida prisão preventiva de Marcos Valério
Da Redação | 27/07/2005, 00h00
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios aprovou, nesta quarta-feira (27), requerimento pedindo a prisão preventiva e a indisponibilidade de bens do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de operar o mensalão. O pedido dos senadores será enviado ao Ministério Público e, caso este órgão seja favorável à iniciativa, encaminhará a sugestão à Justiça.
O requerimento foi aprovado com 19 votos favoráveis e um contrário. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), explicou que o pedido foi feito porque há claros indícios de que Marcos Valério deseja obstruir o trabalho da Justiça, ao queimar provas (notas da empresa DNA) e ao supostamente combinar depoimentos com outras testemunhas, como teria feito com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A posição de Serraglio foi apoiada por parlamentares do governo e da oposição.
- Hoje há fatos que indicam efetiva obstrução da Justiça - disse Serraglio.
Também foram aprovados outros requerimentos. Foram transferidos para a CPI os sigilos bancário, fiscal e telefônico de empresas de propriedade ou controladas por Marcos Valério ou Renilda de Souza, sua esposa, desde 1997. A comissão decidiu quebrar o sigilo bancário referente a aplicações das empresas e da conta particular de Marcos Valério no Banco de Brasília (BRB) desde janeiro de 2003. Foi aprovado ainda requerimento requisitando todos os relatórios enviados pelo BankBoston ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A CPI aprovou também um bloco de 14 outros requerimentos, entre eles os de solicitação de listas de pessoas que se identificaram, desde janeiro de 2003, na sede da Casa da Moeda e na torre de escritórios no Brasília Shopping.
Também foram aprovados pedido de informações sobre lotes de camisetas dos Correios que foram rejeitadas por serem consideradas inadequadas; informações sobre dois funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e mapas de mídia de anúncios dos Correios feitos pela SMP&B, acompanhados de notas fiscais. Outro requerimento pede informações sobre investigação da polícia sobre saques feitos em nome de Jonas Pinho, falecido em 1999, em agência do Banco Rural de Belo Horizonte (MG).
O relator, ao finalizar a reunião, pediu aos parlamentares que ajudem a formular a definição das competências da CPI dos Correios, de forma que não entre em conflito com a comissão que investiga o mensalão. O relator também sugeriu que os parlamentares reconsiderem algumas das convocações para depoimentos aprovados, para que as oitivas possam ser feitas pela Polícia Federal, de forma a agilizar as investigações.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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