Serraglio defende criação de CPI da Corrupção

Da Redação | 08/07/2005, 00h00

Em resposta a questionamentos de jornalistas, na tarde desta sexta-feira (8), o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse considerar uma boa idéia a proposta do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que sugeriu a centralização de todas as investigações que precisam ser feitas no Congresso numa única CPI da Corrupção, que se dividiria em sub-relatorias - por exemplo, sub-relatoria dos Correios, do "mensalão", dos Bingos.

- Talvez fosse uma coisa mais estruturada, porque os fatos se estrelaçariam, e ficaria mais fácil. Seria tecnicamente melhor. É aquela velha história sobre a definição de competências. Não podem dois órgãos distintos examinarem o mesmo fato e chegarem a conclusões diferentes. Isso desacredita o trabalho das CPIs - defendeu.

Para o relator, o início do funcionamento da CPI do "mensalão", previsto para o final de julho, vai tirar o foco das atenções da CPI dos Correios.

- As investigações serão concentradas em cima de parlamentares, que têm visibilidade maior  - comentou.

O relator comentou a denúncia divulgada nesta sexta-feira (8) pela revista Época, segundo a qual Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do "mensalão", teria avalizado um outro empréstimo ao PT, dessa vez de R$ 3 milhões, junto ao Banco Rural, em 2004. A informação, confirmada pelo partido, prova que o publicitário mentiu em seu depoimento à CPI nessa semana, quando garantiu que o único empréstimo ao PT no qual teria se envolvido seria o de R$ 2,4 milhões junto ao BMG, também em 2004.

No entanto, apesar da evidência da mentira, o relator disse que o habeas corpus concedido a Marcos Valério pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu que ele depusesse como investigado, e não como testemunha, impede que a CPI tome qualquer providência contra ele.

- Se ele tivesse prestado juramento, ele poderia ser incriminado por falso testemunho, mas o habeas corpus impede que ele seja responsabilizado por não ter falado a verdade. A decorrência disso é que ele vai se desacreditar cada vez mais perante a opinião pública. Os olhos da dúvida vão pender sobre ele - opinou.

Serraglio contou que a CPI ainda não recebeu os documentos referente aos saques feitos no Banco Rural em Brasília, de onde, de acordo com as denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), sairiam os recursos do "mensalão". Esses dados não estariam disponíveis no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)