"Nunca mais vou trabalhar com políticos", diz Valério

Da Redação | 06/07/2005, 00h00

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza afirmou, nesta quarta-feira (6), em seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncia de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (CPI dos Correios), que nunca mais vai trabalhar com políticos. Valério, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de  ser o operador do esquema do "mensalão", declarou ainda que sua carreira como publicitário e empresário acabou.

Valério refutou todas as acusações que lhe foram feitas e disse acreditar que Jefferson envolveu seu nome nessa trama com um objetivo específico.

- O deputado Roberto Jefferson é muito inteligente, muito bem articulado e muito bem informado. Ele fez essas suposições com a intenção bem desenhada de atingir seus objetivos. Ele sabe onde quer chegar - observou, sem detalhar, no entanto, onde seria.

Segundo Valério, ele e Jefferson estiveram juntos apenas duas vezes. Em uma das ocasiões em que se encontraram, teriam tratado das campanhas eleitorais do PTB. Esse assunto também teria sido a tônica das conversas travadas com os deputados Valdemar Costa Neto (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), José Janene (PP-PR) e José Borba (PMDB-PR). Sobre todos esses parlamentares pesa a acusação de receberem o "mensalão".

O publicitário declarou que esteve com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, quatro vezes, em encontros sociais e audiências, sempre com testemunhas. Ele garantiu que nunca manteve contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Valério acentuou ainda que espera que o PT lhe pague os R$ 349.927,53 que lhe deve em função do pagamento dos juros de uma dívida do partido com o BMG, empréstimo em que o publicitário foi avalista. Ele disse que solicitou ao ex-tesoureiro do PT e seu amigo, Delúbio Soares, que retirasse seu nome como avalista.

Questionado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), Valério disse não ver nenhum problema ético no fato de ter avalizado um empréstimo para o partido do governo, sendo ele o detentor das contas de publicidade de várias estatais e órgãos públicos, entre eles a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

- O dinheiro que o senhor deu para o partido é o mesmo dinheiro que sua empresa ganhou do governo - salientou o deputado Moroni Torgan (PFL-CE).

Para o senador Heráclito Fortes (PFL-PI), o depoimento do publicitário foi uma "grande decepção".

- Se esperava aqui um derramamento de sangue, mas isso não aconteceu. O senhor Valério não abriu o bico - lamentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)