Líder afirma que CPI dos Correios nasce "sob a égide da desconfiança"

Da Redação | 17/06/2005, 00h00

O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), criticou o fato de a primeira reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios ter acontecido no gabinete da liderança do PT, com a presença apenas de parlamentares da base governista. Agripino ficou sabendo da reunião por foto publicada no jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira (17), na qual aparecem a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). No mesmo discurso, Agripino garantiu que a oposição não comemora a saída de José Dirceu da Casa Civil e disse que as comemorações só devem ocorrer quando as investigações forem concluídas e os culpados punidos pela Justiça.

Sobre a primeira reunião da CPI dos Correios, Agripino afirmou que a comissão já nasce sob a égide da desconfiança.

- Isso é o que mais tememos. A reunião poderia ter contado com a participação de outros membros da comissão, como o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), mas, não. Eles fizeram uma reunião só deles - ressaltou.

O senador lembrou que, quando o senador Delcidio Amaral (PT-MS) foi eleito presidente da CPI dos Correios e escolheu o relator, ele, Agripino, já havia manifestado preocupação nesse sentido. Para o líder do PFL, se os primeiros passos da CPI não forem marcados pela isenção, a comissão já começa contaminada.

- E pagaremos um preço alto por isso, pois a população, que já está chamando a comissão de CPI da chapa branca, vai achar que todos nós fomos coniventes - disse.

O líder do PFL apelou a Delcidio Amaral, que também se encontrava em Plenário, para realizar os próximos encontros do colegiado em um "ambiente aberto" e com a presença de parlamentares dos outros partidos, como forma de garantir a isenção das apurações. Ele também fez questão de ressaltar que a oposição não está comemorando a saída do cargo de ministro-chefe da Casa Civil de José Dirceu, que reassumirá o mandato de deputado federal. Segundo Agripino, as comemorações só devem ocorrer quando as investigações forem concluídas e os culpados punidos pela Justiça, em razão das denúncias de corrupção.

- A imprensa registra a satisfação e o contentamento da oposição, mas isso é mentira. O momento não é para comemorar, pois não batemos palmas pela desgraça alheia. Devemos comemorar no dia em que as denúncias forem apuradas e os corruptos forem entregues à Justiça e presos - disse Agripino.

O senador lembrou que as bancadas do PFL e do PSDB encaminharam ao presidente do Senado, Renan Calheiros, requerimento de instalação de comissão mista especial externa para acompanhar as investigações da Polícia Federal sobre as denúncias de corrupção nos Correios.


PPS

O líder do PFL considerou "gravíssimas" as denúncias publicadas também em matéria do jornal O Estado de S. Paulo  de que o Partido Popular Socialista (PPS) teria recebido, no ano passado, cerca de R$ 4 milhões para que os vereadores da legenda votassem de acordo com os interesses da então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Segundo a publicação, o dinheiro teria sido oferecido pelo secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT), Sílvio Pereira, e pelo então secretário municipal de Comunicação, Valdemir Garreta.

- A denúncia é gravíssima e certamente terminará no rol dos fatos a serem esclarecidos pela comissão parlamentar de inquérito. E o engraçado é que eles gostam do número quatro, são sempre R$ 4 milhões - ironizou o senador, ao lembrar suposto repasse de igual valor que teria sido feito pelo PT ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), conforme depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.  

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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