Agripino prevê dificuldades para o governo

Da Redação | 17/06/2005, 00h00

Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira (17), o líder do PFL, senador José Agripino (RN), disse acreditar que o governo enfrentará dificuldades durante as investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios com a saída de José Dirceu do cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Segundo o senador, José Dirceu entrará agora em "rota de colisão" com aqueles quetambémserão investigados pela CPI.

- José Dirceu fez todas as articulações dentro do governo, montou as alianças com diversos partidos. O governovai ter dificuldades nos futuros acertos, pois José Dirceu entrará em rota de colisão com um dos partidos com os quais ele se acertou, que foi o PTB. O governo terá dificuldades em acertos políticos, em recuperar entendimentos, vai claudicar, vai cometer equívocos pelo fato de o homem que era a memória do partido estar fora do governo e estar desprezado. Que ninguém se iluda. Por mais que se diga que a relação de José Dirceu com o Planalto continua boazinha, não está, não. Está maculada e fortemente abalada - disse o líder do PFL.

Na avaliação do senador, o governo colhe agora os "erros" dos acordos feitos pelo ex-chefe da Casa Civil com o Partido Liberal (PL), oPartido Progressista (PP) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

- Ele errou não só nos acertos, mas nas conseqüências dos acertos, nos arranjos feitos, supõem-se, através de Delúbio, de Sílvio Pereira, de Waldomiro, das pessoas que denunciadas levaram-no ao pelourinho e, do pelourinho, à saída do governo. Ele agora vem para o Congresso e vai entrar em rota de colisão com o Roberto Jefferson e os atritos podem provocar perdas para a base aliada. Na hora em que houver uma acareação entre Dirceu e Roberto Jefferson, pelo temperamento de ambos, vão sair fagulhas e muitas declarações contundentes. E assim se vai chegar mais rapidamente às conclusões com relação às práticas de corrupção - disse José Agripino.

Segundo o senador, a CPI dos Correios precisa esclarecer algumas questões, como quem idealizou o esquema de compra de apoio político.

- É preciso esclarecer também de que órgão saiu o dinheiro, quem ia buscar o dinheiro e quem recebia o dinheiro. Esses fatos só poderão ser esclarecidos a partir de um embate entre Dirceu e Roberto Jefferson. O embate vai queimar etapa no rumo das conclusões da CPI. O Congresso deve apurar as denúncias para que a sociedade passe a ter respeito pelo Executivo e pelo Legislativo. E vamos cobrar a garantia dada pelo presidente Lula de que não fique pedra sobre pedra, de que os fatos denunciados serão apurados- disse o senador.

José Agripino lamentou que as denúncias de corrupção estejam obrigando o governo a fazer mudanças para garantir a governabilidade.

- O presidente Lula, depois de dois anos e meio, resolve, forçado pela crise e pela cobrança da opinião pública, fazer o que deveria ter feito desde o primeiro dia de governo: fazer um ministério enxuto, com pessoas competentes, sem aparelhar o Estado, fazer a distribuição do governo com os partidos aliados para evitar que, ao invés de dar prestígio a partido, fosse obrigado a comprar obediência de partido. Eu receio que esteja sendo tarde - concluiu o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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