Delcidio é eleito presidente da CPI dos Correios

Da Redação | 15/06/2005, 00h00


Na falta de consenso entre governistas e oposicionistas, a escolha do presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para investigar denúncias de corrupção nos Correios foi decidida em votação secreta. Por 17 votos, dois a menos que o esperado pela base governista, o senador Delcidio Amaral (PT-MS) foi eleito presidente e o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), vice. A chapa oposicionista, liderada pelo senador César Borges (PFL-BA) e tendo como vice o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), obteve 15 votos.

O primeiro convocado a depor será Maurício Marinho, que dirigia o Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, flagrado em fita de vídeo recebendo R$ 3 mil de suposta propina. O depoimento deve acontecer na próxima terça-feira (21), às 18h.

Além de ouvir Marinho, a CPI dos Correios irá apreciar os requerimentos apresentados até essa sexta-feira (17). Na reunião desta quarta-feira (15), quando foram eleitos o presidente e o vice, já haviam sido encaminhados 84 requerimentos. Todos esses pedidos serão sistematizados pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que assumiu a função definindo como mote da condução dos seus trabalhos o "não ao abafa; não ao circo".

Ao abrir a reunião, o senador Jefferson Péres (PDT-AM), que presidiu os trabalhos, questionou os líderes partidários sobre a existência de acordo para a escolha do presidente da comissão. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), anunciou o insucesso das negociações e tratou de afirmar que, da parte do governo, não houve veto ou tentativa de desqualificar o senador César Borges, candidato da oposição à presidência da CPI dos Correios.

Essa afirmação foi rechaçada, entretanto, pelo líder do PFL no Senado, José Agripino, e por César Borges. Os pefelistas estavam convencidos que "forças externas", no caso o Poder Executivo, atuaram para vetar a indicação do senador baiano para a presidência da CPI dos Correios. Para o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), o cargo deveria ser ocupado por um integrante do bloco PSDB-PFL, que reuniria a maior bancada no Senado. Já Mercadante apontou o direito de o PT e o PMDB reivindicarem a presidência e a relatoria por serem maioria na Câmara e no Senado, respectivamente.

Se divergiram quanto às indicações, governistas e oposicionistas afinaram o discurso ao defender equilíbrio, isenção, decência e profundidade na apuração das denúncias. Unanimidade também foi observada nos elogios dirigidos a Jefferson Péres, para quem, mais do que palavras, os membros da comissão devem dar exemplos à sociedade. Conforme alertou, o andamento dos trabalhos da CPI dos Correios é que dirá se o Congresso sairá enxovalhado ou dignificado do episódio.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)