Falta de acordo adia escolha de presidente e relator da CPI dos Correios

Da Redação | 14/06/2005, 00h00

 

Líderes governistas e oposicionistas ainda não fecharam acordo sobre a escolha do presidente e do relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para apurar denúncias de corrupção nos Correios. Na esperança de facilitar o entendimento, o líder do bloco de apoio ao governo, Delcidio Amaral (PT-MS), chegou a abrir mão de sua indicação para a presidência da comissão. Nova tentativa de acordo para o preenchimento desses cargos deve ocorrer nesta quarta-feira (15), a partir das 14h30.

As divergências entre aliados e opositores do governo levaram, inclusive, ao adiamento de reunião que seria realizada nesta terça-feira (14) para eleger os ocupantes desses cargos. A decisão foi anunciada pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM), que presidiria a reunião na condição de integrante mais velho da CPI dos Correios, e tomada a pedido dos líderes partidários. A iniciativa teria sido movida pela expectativa de entendimento em torno da escolha do presidente e do relator da comissão.

Enquanto prosseguem as negociações, o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), argumenta que cabe à oposição, por tradição, alternar sua participação em CPIs ocupando a presidência ou relatoria. Assim, considerou uma "imposição de humilhação" a proposta dos governistas de escolherem o nome do oposicionista a ocupar um desses postos. Se um acordo entre aliados e opositores ficar inviabilizado, Agripino não descarta a possibilidade de submeter o nome do senador César Borges (PFL-BA), rejeitado pelo governo, a disputa pelo voto.

Ainda sobre essa questão, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), se disse disposto a perseguir um acordo baseado na "moderação, serenidade e racionalidade". Sua proposta é que os governistas definam o indicado para o cargo oposicionista, e vice-versa. O petista observa, entretanto, que tanto o PT quanto o PMDB - este último ausente em postos-chave nas duas últimas comissões (CPI da Terra e CPI do Banestado) - reivindicam a presidência e a relatoria. Conforme adiantou, os governistas aceitam negociar o indicado para a presidência da CPI dos Correios se a oposição desistir da indicação de César Borges.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)