Escola oferecia aulas de marcenaria e datilografia

Tatiana Beltrão | 06/03/2017, 18h32 - ATUALIZADO EM 09/06/2017, 18h32

Em 1972, o Jornal do Brasil acompanhou o início das aulas em uma das escolas públicas do Rio eleitas pelo governo como pilotos na implantação da reforma do ensino. “Ensinar para a vida é um dos lemas do Gonzaga da Gama, por isso o forte do colégio são as oficinas”, dizia reportagem, informando que os alunos aprendiam a datilografar e a fazer um “bem torneado pé de mesa”.

A escola era conhecida pela qualidade do corpo docente e também de suas oficinas.

— O colégio despertou minha curiosidade para a área profissional. Tínhamos ótimos professores, didática pioneira, oficinas bem montadas — conta Hélio de Mattos Alves, aluno da escola de 1970 a 1973.

Hélio praticou marcenaria, metalurgia e artesanato em couro. Filho de operário, aos 15 anos começou a trabalhar em uma fábrica de luvas, usando o que aprendera na escola.

A qualidade, porém, não era regra na rede pública. Depois do Gonzaga da Gama, Hélio estudou em outra escola, onde os alunos se formavam técnicos em química.

— O curso era péssimo. Nem laboratório havia — lembra.

A formação geral também era falha. Por isso, o jovem, que queria fazer universidade, foi para um colégio particular, que preparava para o vestibular. Formou-se em farmácia e hoje é professor na UFRJ.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)