“1958 foi o ano em que tudo deu certo para o Brasil”, afirma jornalista

Ricardo Westin | 07/07/2014, 14h53 - ATUALIZADO EM 13/12/2019, 20h27

Em 1950, quando foi anfitrião da Copa do Mundo pela primeira vez, o Brasil era um país rural e sem autoestima. Em 2014, quando abrigou o Mundial pela segunda vez, já era um país diferente — urbano e orgulhoso de seus talentos. A transição do Brasil antigo para o Brasil moderno começou em 1958, de acordo com o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, autor do livro Feliz 1958 - o ano que não devia terminar (Editora Record):

— Foi o ano em que tudo deu certo. O Brasil ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez. João Gilberto lançou Chega de Saudade, o disco fundador da bossa nova. A revista Manchete apresentou fotos belas da colunata do Palácio da Alvorada pronta, mostrando que Brasília, em construção, se tornaria mesmo realidade, e não mais uma lenda brasileira que não se confirmaria. A arquitetura de Niemeyer causava espanto internacional. Em 1958, o Brasil assistia a Rio Zona Norte, o primeiro filme de Nelson Pereira dos Santos, que inaugurou o Cinema Novo. O Brasil se industrializava.

Na avaliação do jornalista, essa sequência de “conquistas” em 1958 fez nascer um orgulho brasileiro que não existia antes.

— Até então, não havia nada que tornasse o Brasil celebridade internacional. Ali, o Brasil passou a ser reconhecido não pela miséria e pelo subdesenvolvimento, mas pelo talento do futebol, pela sofisticação da música, pela beleza da arquitetura. Nós nos tornamos internacionais pela primeira vez.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)