Professora faz rifa e compra exemplares da Constituição impressos pelo Senado para seus alunos

Herivelto Ferreira | 04/03/2016, 11h57 - ATUALIZADO EM 07/03/2016, 17h10

A Constituição federal impressa pelo Senado tem contribuído para a formação de jovens da rede pública do interior de São Paulo. Com a publicação em mãos, alunos da Escola Estadual Oscália Góes Corrêa Santos, em Rio Claro, puderam aprender, na prática, a aplicação dos ideais iluministas e conheceram mais sobre os direitos fundamentais.

A aquisição dos exemplares foi uma iniciativa da professora Talita Bordignon. Com nove anos de carreira, a docente relatou que continua entusiasmada com o poder transformador de seu ofício. Ela explicou que, como a instituição de ensino não dispunha de recursos financeiros suficientes para a aquisição dos exemplares, decidiu comprar uma bicicleta e, em seguida, rifá-la. Com a ação, foi possível adquirir 45 exemplares e ainda visitar uma fazenda da região, como parte do projeto pedagógico desenvolvido com os alunos.

— Eu gosto muito do que faço. Não me vejo fazendo outra coisa. Penso que os alunos precisam conhecer o mundo e eu acredito que faço muito bem esse papel — afirmou a docente, que entrou em contato com o Senado pelo Facebook para elogiar o atendimento da equipe da Livraria Virtual do Senado.

Talita contou que a experiência trouxe muitos ganhos para a turma da 8ª série do ensino fundamental, entre eles, a oportunidade de assimilar melhor o conteúdo apresentado.

— Durante as aulas, as leis eram conceitos muitos abstratos. Então, imaginei que se eu mostrasse a Constituição federal, seria muito mais fácil de eles (alunos) visualizarem como tudo funciona na prática e como uma sociedade democrática é construída a partir da elaboração das leis — declarou.

De acordo com Talita, os estudantes tiraram dúvidas sobre as responsabilidades dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e aprenderam sobre os direitos e deveres de cada cidadão.

— Fizemos um passeio pela Constituição. E, ao se depararem com a teoria, entenderam como a vida deles funciona no cotidiano — lembrou.

A professora garante que pretende levar a publicação para as demais turmas em que leciona e incentiva outros colegas de profissão a fazerem o mesmo.

— Recomendo que os professores também façam uso das leis para que os alunos conheçam seus direitos e deveres, que foram construídos ao longo do tempo de forma democrática — sugeriu.

Livraria

O chefe do Serviço de Controle e Distribuição do Acervo da Livraria do Senado, Ricardo Abril Marinho, explica que são realizados diariamente aproximadamente 50 atendimentos, por telefone e por e-mail. São cidadãos que procuram informações sobre pedidos e compras, entre outras questões. Por mês, são atendidas pelo menos mil pessoas.

O reconhecimento do trabalho realizado, para ele, é motivo de satisfação, já que o objetivo da unidade é garantir que o cidadão tenha a demanda totalmente atendida.

— Nosso sentimento é de que alcançamos o que deveríamos alcançar. Nosso trabalho é justamente esse: fazer o conteúdo chegar ao cidadão — comenta.

A sensação de Ricardo é compartilhada pelo servidor Elicé Torres Batista, que há oito anos atua diretamente com o atendimento ao público.

— Nós ficamos estimulados a melhorar cada vez mais. Com certeza, esse tipo de reconhecimento nos incentiva — disse.

Entre os pedidos de informações mais comuns, estão os relacionadas ao conteúdo das obras, às formas de entrega e aos prazos de envio. A maioria dos questionamentos é respondida no mesmo dia e, quando não é possível, a questão é encaminhada para o setor responsável.

A livraria virtual pode ser acessada pelo site http://livraria.senado.gov.br. Presencialmente, há dois pontos de venda nas instalações do Senado Federal: um no Túnel do Tempo e o outro no prédio da Gráfica. Ambos funcionam das 10h às 17h, no edifício do Senado, em Brasília. Para o esclarecimento de dúvidas estão disponíveis os telefones (61) 3303-3575 ou 3303-3576 e o e-mail para livros@senado.gov.br.

Mais vendido

O diretor da Gráfica do Senado, Florian Madruga, explica que nos últimos 28 anos, foram produzidos mais de 2,5 milhões exemplares da Constituição Federal, a publicação mais vendida da Casa. Em todo o ano passado, foram impressas 280 mil unidades. O título está disponível em três formatos: nos modelos livro, separata e tabloide.

— O modelo livro tem quase 500 páginas e contém o índice temático. A versão separata, por sua vez, traz apenas o texto da Constituição, sem o índice temático. Já o tabloide é apresentado no formato de um pequeno jornal — disse.

Em 2015, foram comercializados 6.520 exemplares da Constituição, quantitativo considerado recorde, já que a média anual é de 4,5 mil unidades.

— Os exemplares são disponibilizados para qualquer cidadão, tanto na livraria física quanto na virtual. Nós também temos um convênio com o STJ (Superior Tribunal de Justiça) para a impressão de constituições — afirmou o diretor.

A versão digital também está disponível e pode ser acessada gratuitamente em diversos formatos no portal do Senado.

Legislação

Uma proposta em tramitação no Congresso Nacoinal prevê que as escolas de ensino fundamental e médio devam passar a ofertar aos alunos, entre os conteúdos curriculares, a introdução ao estudo da Constituição. O PLS 70/2015, aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e esporte (CE), em setembro do ano passado, está atualmente em análise na Câmara dos Deputados.

Segundo o senador Romário (PSB-RJ), autor do projeto, ao levar os exemplares da Constituição para a sala de aula, a docente contribuirá para a formação de adultos mais conscientes.

— Essa é uma iniciativa extremamente cidadã. Nossa lei ainda não inseriu o estudo da Constituição no currículo escolar, como sugere um projeto de lei de minha autoria, porém, nada impede que professores colaborem com a formação de brasileiros mais conscientes de seus direitos — incentivou.

Romário ressalta ainda que as deliberações curriculares quanto à abordagem do conteúdo devem ocorrer de forma conjunta com as pessoas que estão inseridas no dia a dia das escolas.

— Para mim, o mais importante é que o conteúdo seja absorvido pelos alunos e eles levem isso por toda a vida — disse Romário.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)