Escolas enfrentam despreparo para incluir alunos com deficiência

Simone Franco | 25/02/2016, 16h32 - ATUALIZADO EM 25/02/2016, 19h24

O debate Educação Inclusiva com Abordagem em Autismo e Síndrome de Down abriu nesta quinta-feira (25) a edição de 2016 do evento Pauta Feminina. A iniciativa tem o apoio da bancada feminina no Congresso Nacional e da Procuradoria da Mulher do Senado.

Durante o evento, a psicopedagoga Lourdes Dias, da Clínica Aprender, afirmou que as escolas brasileiras ainda carecem de profissionais preparados para promover a inclusão de alunos com deficiência. Ela informou que as escolas têm contratado estagiários “sem qualificação, preparo e compromisso” com a criança com deficiência para fazer a ponte entre ela e o professor.

— A formação é fundamental para a inclusão. Um mediador de aprendizagem tem que estar presente e auxiliar o professor, que deve ser a referência em sala de aula. Esse profissional precisa ter um vínculo com o aluno especial e trabalhar visando a sua independência — afirmou a psicopedagoga, que se queixou ainda da falta de adaptação curricular e de um plano de ensino individualizado para facilitar esse processo de aprendizagem.

A representante do Ministério da Educação, Susana Braimer, concordou quanto a necessidade de o professor ser o profissional de referência para o aluno com deficiência. Mas, quanto ao profissional de apoio em sala de aula, informou que cada estado e município tem total autonomia para delinear o perfil esperado de sua atuação.

— Entendo que o profissional — de apoio ou mediador de aprendizagem — deve estar ali quando solicitado. Não podemos cair na fácil ideia de que toda pessoa com deficiência precisa de um profissional de apoio — disse Susana Braimer.

Participação familiar

Na visão da representante do Ministério da Saúde, Vera Lúcia Mendes, as políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência — seja em saúde, seja em educação — só irão avançar com a participação plena da sociedade e, em particular, das famílias destes cidadãos.

— A gente confia e conta com o movimento social para a formulação dessas políticas. A atenção básica de saúde também precisa ser forte e estar atenta aos indicadores de desenvolvimento infantil. Temos que fortalecer ainda os programas de estimulação precoce com foco nas famílias, para que elas possam estimular seus filhos nas dimensões sensorial, motora e cognitiva. Isso vai fazer muita diferença na vida dessas crianças — disse Vera Mendes.

Já o presidente do Instituto Ápice Down, Karlo Quadros, observou que, mesmo com os avanços da inclusão, episódios de segregação de estudantes com deficiência continuam a ocorrer dentro do espaço escolar. E advertiu, inclusive, para o risco de surgimento de regressão afetiva, manifestação capaz de desencadear transtornos mentais em pessoas alvo dessa exclusão.

Para o senador Hélio José (PMB-DF), coordenador do debate sobre inclusão escolar no Pauta Feminina, a diversidade é um requisito fundamental para a construção de uma sociedade inclusiva.

Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Procuradora da Mulher no Senado, reconheceu o desafio social imposto pelo autismo e pela síndrome de Down, especialmente para as mulheres que têm filho ou filha nessa condição.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)