Brasil investe em práticas sustentáveis e beneficia produtores, diz representante do Executivo

Da Redação | 20/06/2018, 19h16 - ATUALIZADO EM 21/06/2018, 10h44

O Brasil já investiu R$ 15,5 bilhões na implementação de novas tecnologias agrícolas, como forma de mitigar os efeitos maléficos das mudanças climáticas e favorecer a agricultura de baixo carbono.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (20) pelo representante do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, Elvison Nunes Ramos, em audiência pública interativa na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).

Os recursos compõem a linha de crédito oferecida a produtores rurais pelo Plano ABC, que desde 2010 prevê a adoção de práticas sustentáveis, em resposta aos compromissos assumidos pelo Brasil para a redução de emissão de gases de efeito estufa.

Elvison destacou ainda que o plano prevê a recuperação de pastagem degradadas, adoção de sistema de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de dejetos de animais entre outras metas. Todos os estados brasileiros elaboram atualmente seus planos, e mais de 51% dos municípios do país já adotam as tecnologias do plano abc nacional.

Pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad destacou que o Brasil tem hoje 48 milhões de hectares de pastos degradados — a meta é reduzir a 15 milhões de hectares — e 120 milhões de hectares de pastos bons, que apresentam capacidade de fixação de carbono muito grande, compatível com neutralização de emissões de metano.

Coordenador do Observatório ABC, Ângelo Costa Gurgel apontou os desafios para que a agricultura de baixo carbono “deslanchar de vez” no Brasil. Entre eles, citou a falta de monitoramento, o desconhecimento do Plano ABC e o baixo envolvimento do setor privado.

— O plano traz retorno para o pecuarista, mas falta conhecimento por parte do produtor, do setor privado, do setor financeiro. O operador de crédito conhece menos, e isso torna o crédito menos palatável para o empréstimo. Os técnicos agrícolas, os agrônomos e zootecnistas também desconhecem os benefícios da agricultura de baixo carbono — afirmou.

Chefe de Departamento da Área de Operações Indiretas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Thiago Luiz Cabral Peroba destacou que a instituição oferece crédito não só por meio do Plano ABC, mas também em programas de agricultura familiar e por meio dos Fundos Clima e Amazônia, de incentivo à agricultura sustentável.

Coordenador de Sustentabilidade, Recursos Hídricos e Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias destacou que a maioria dos produtores investem em eficiência para evitar o avanço da atividade agrícola em novas áreas.

— Todo esse esforço precisa chegar na ponta e ser atrativo ao produtor rural.  Em termos de produção, a atividade agrícola é 408% mais produtiva que quarenta anos atrás. Precisamos crescer, mas aumentar e ser produtivos para que a gente não entre em uma espiral de improdutividade — afirmou.

Relator da comissão mista, o senador Jorge Viana (PT-AC) afirmou que a agricultura de baixo carbono é hoje a grande aliada da produção sustentável no século 21.

— Mas, lamentavelmente, isso não foi entendido pelo país, de recursos minguados e crédito deficiente. Deveríamos dar tratamento VIP a quem entrasse na agricultura de baixo carbono para atrair novos participantes — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)