Especialistas discutem influência das mídias sociais no processo eleitoral

Da Redação | 24/05/2018, 22h38 - ATUALIZADO EM 29/05/2018, 10h13

O debate sobre a velocidade com que os conteúdos das mídias sociais se espalham e o efeito do seu uso sobre o processo eleitoral deste ano mobilizou, nesta quinta-feira (24), cerca de 600 profissionais de comunicação que fazem a cobertura política do Congresso, assessores de imprensa e interessados no assunto, durante o seminário O Legislativo e as Mídias Sociais.

Promovido pela Secretaria de Comunicação e pela Diretoria-Geral do Senado, o evento reuniu especialistas e representantes de instituições que se dedicam ao estudo das redes sociais para discutir o comportamento e crescimento dessas novas mídias e a influência sobre o trabalho legislativo e o cenário político-eleitoral.

Na abertura, a diretora da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Angela Brandão, contou que a ideia de promover o encontro nasceu da vontade de atualizar os conhecimentos sobre o grande desafio que é a relação entre mídias sociais e política e ressaltou o papel que as fontes institucionais passam a representar diante desse cenário.

— Nesse momento as fontes institucionais como a Comunicação do Senado, por exemplo, ganham um papel ainda mais relevante. A gente começa a perceber que, se num passado a gente era interpretado como aquela fonte institucional e essa informação pode ser menos relevante do que as fontes de fora, agora as pessoas se sentem seguras de que essa é uma informação verdadeira, porque é uma fonte institucional que está falando — afirmou.

O encontro contou com a presença do senador Wellington Fagundes (PR-MT), vice-presidente da Comissão Senado do Futuro. Segundo ele, é importante mostrar para os cidadãos o trabalho feito pelos servidores e parlamentares da Casa. Para isso, é importante “melhorar a comunicação com a população”.

Dados pessoais

O secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello, afirmou que a discussão sobre o impacto das mídias sociais no trabalho legislativo torna-se ainda mais importante por ser tratar de um ano eleitoral, já que o debate político nas redes sociais é uma preocupação no Congresso. Bandeira também falou sobre as regras para proteção de dados pessoais dos internautas.

— Ontem [23] nós votamos, no Plenário do Senado, o projeto de Lei do Senado [PLS 330/ 2013], que trata da proteção de dados pessoais dos usuários na internet. O grande negócio das redes sociais são os nossos dados pessoais e nós temos uma legislação que ainda é tímida nesse sentido. E esse projeto vai regular de forma extensa em que medida esses dados podem ser usados — concluiu.

Representando a diretora-geral, Ilana Trombka, o diretor-executivo de Gestão, Márcio Tancredi, elogiou a escolha dos temas e comentou a importância de o Senado se posicionar.

— Do ponto de vista do interesse da Casa, a discussão é de que forma as redes podem influenciar e qual é o destino da interação das redes e o nosso trabalho na fatura legislativa. Como a gente faz leis e como podemos usar as mídias sociais para agregar o cidadão ao debate legislativo. E o outro ponto é o cenário político eleitoral, já que estamos vendo coisas que no passado não existiam — disse Tancredi.

Diretor-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados, David Miranda falou sobre o desafio de fortalecer os canais de comunicação do Legislativo e de estar antenado às novas tecnologias.

— A gente tem que estar sempre nas mesas de discussão para tentar não perder o bonde da comunicação. Esse tipo de discussão só enriquece e abre horizontes para vencer os desafios diários — salientou.

Debate político

O primeiro painel na parte da manhã, intitulado O Debate Político nas Mídias Sociais: estratégias e ética, foi conduzido pelos pesquisadores Marisa von Bülow (Universidade de Brasília) e Fabrício Benevenuto (Universidade Federal de Minas Gerais). Os palestrantes trataram do poder de influência e a importância de ferramentas de transparência que exijam ética das plataformas e dos usuários das mídias.

Para Marisa, é fundamental envolver as outras plataformas virtuais no debate, não focando apenas nas mídias sociais. Outro aspecto importante, mas que não é o único que deve ser levado em consideração, são as fake news, afirmou Marisa.

— Por exemplo, como coibir práticas como a compra de comentários que buscam influenciar a discussão num determinado fórum de debate? O conteúdo dos comentários pode ou não ser fake news, mas é uma estratégia de fraude. Outro ponto importante é estudar os algoritmos presentes nas páginas de busca, quem recebe o quê e o porquê — explicou.

Fabrício Benevenuto, coordenador do projeto Eleições sem Fake, afirmou que várias mudanças no ecossistema de notícias vêm favorecendo campanhas de desinformação e disseminação de notícias falsas. Por isso, o pesquisador e o grupo de estudantes liderados por ele desenvolveram sistemas que visam transparência para o espaço midiático.

— Entre as mudanças ocorridas, nos últimos anos, estão o fato de as campanhas passarem a ocorrer nas redes sociais por meio de impulsionamento, prática liberada por lei para a propaganda aparecer na timeline de outra pessoa. O segundo problema é que as mídias sociais hoje são veículos de notícias, já que a maioria dos veículos usam como mecanismo de disseminação, e o terceiro são os perfis falsos e os grupos privados no Whatsapp — disse.

Melhores usos

O segundo painel tratou das diferenças entre as redes sociais, com o tema Cada Rede em seu Lugar: os melhores usos do Facebook, Twitter e Instagram. O jornalista Moisés Nazário, coordenador do Núcleo de Mídias Sociais do Senado, Tarso Rocha, chefe do Serviço de Gestão de Perfis e Conteúdo do mesmo núcleo, e Sara Reis, chefe do Serviço de Internet da TV Senado, analisaram as características das plataformas de redes sociais mais utilizadas e o que configura boas práticas de uso desses meios.

Moisés Nazário falou sobre as peculiaridades de cada rede social e o perfil dos usuários. Segundo ele, no Facebook, as postagens são organizadas por engajamento e afinidade. Já no Twitter o critério é a ordem cronológica. E o Instagram varia entre essas duas vertentes, mas com um forte viés cronológico. E Tarso Rocha apresentou detalhadamente os demais perfis da Casa nas redes sociais.

Ao final do painel, Sara Reis falou sobre o crescimento da página da TV Senado no Youtube, e anunciou que o perfil alcançou 200 mil inscritos nesta quarta. Primeiro canal público brasileiro a fazer multiprogramação nessa rede e um dos primeiros do mundo, a TV Senado também passou a ser a primeira página de governo no Brasil — era classificada como canal de TV focado em entretenimento —, segundo classificação da Social Bakers. A empresa faz a análise de todas as redes sociais.

O seminário O Legislativo e as Mídias Sociais — Desafios e Oportunidades de Comunicação foi transmitido ao vivo pelo Youtube da TV Senado. A gravação do evento será apresentada na íntegra pela TV senado, em data a ser divulgada mas também pode ser acessada no site do evento ou em https://youtu.be/eGScrdi5hhU.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)