Indicado para a Embaixada do Brasil na Coreia do Sul é aprovado pela CRE

Sergio Vieira | 19/04/2018, 16h48 - ATUALIZADO EM 20/04/2018, 18h07

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta quinta-feira (19) a indicação do diplomata Luís Henrique Sobreira Lopes para o cargo de embaixador do Brasil na Coreia do Sul. A indicação será agora analisada pelo Plenário do Senado.

Sabatinado pelos senadores, ele defendeu um acordo entre o Mercosul e a Coreia para diminuir o deficit enfrentado pelo Brasil nas relações com o país asiático. Sobreira Lopes apontou a assimetria na relação comercial entre os dois países: o Brasil exporta produtos primários, enquanto importa da Coreia do Sul itens de alto valor agregado, como automóveis e equipamentos ligados à tecnologia de informação. Como resultado, o Brasil tem um deficit que chegou a cerca de US$ 5 bilhões por ano entre 2012 e 2014. A partir da recessão econômica, em 2015, com a queda nas importações, o déficit ficou em cerca de US$ 3 bilhões, informou o diplomata.

— Este acordo [entre o Mercosul e a Coreia] não é fácil, pois há resistências setoriais de ambos os lados. Mas sua efetivação pode causar uma liberalização maior do mercado agrícola deles. Se não total, o suficiente para que consigamos uma redução considerável neste déficit — afirmou.

Barreiras disfarçadas

Além das assimetrias nas pautas exportadoras, Sobreira Lopes admite ser preciso superar as barreiras impostas pelos coreanos. Estas são tanto efetivas, ligadas a regras sanitárias, quanto culturais.

Em relação a restrições de ordem sanitária, o diplomata entende que elas na verdade constituem um protecionismo disfarçado por parte dos coreanos, pois regulações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) impedem que sejam adotadas barreiras tarifárias.

— Eles alegam riscos de febre aftosa em relação à nossa carne bovina, mas isso de fato não faz sentido, este risco é praticamente inexistente. A carne que é exportada nem sequer tem osso. O que eles querem é proteger a produção doméstica.

Este bloqueio se dá por razões culturais, pois ainda que o agronegócio não seja significativo na Coreia do Sul (corresponde a 2,5% do PIB), ele é muito valorizado socialmente, pois está ligado à manutenção de tradições milenares. E estas restrições sanitárias, como detalhou o diplomata, não se restringem à carne. Eventualmente são alegadas também em relação à importação de café.

Combate à corrupção

Indagado relator da indicação, pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) sobre a situação política da Coreia do Sul, o diplomata explicou que o país tem passado por um processo recente de combate à corrupção. O poder público sempre foi umbilicalmente ligado às grandes empresas privadas no país, com "troca de favores e intimidade excessiva" entre estes setores, disse o embaixador.

— Este modelo, é claro, dava margem à prática generalizada de retribuições financeiras por parte das empresas aos agentes públicos, pelos favores prestados. Mas existe um consenso na sociedade coreana de que esta realidade precisa mudar, 80% da sociedade apoia o combate à corrupção, segundo as pesquisas — afirmou.

Este processo, que, como salientou, tem respeitado a ordem constitucional, já levou à cadeia ou à condenação penal os quatro últimos presidentes da República, disse Sobreira Lopes.

Tendo trabalhado em diversos países, Luís Henrique Sobreira Lopes foi o encarregado de negócios na missão junto à União Europeia, em Bruxelas. Atualmente exerce o cargo de diretor do Departamento de África no Itamaraty.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)