CMMC debate benefícios da agricultura de baixo carbono

Da Redação e Da Rádio Senado | 11/10/2017, 18h14 - ATUALIZADO EM 11/10/2017, 18h49

Durante debate promovido pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), nesta quarta-feira (11), representantes do Ministério da Agricultura, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em Inglês), da Embrapa Cerrados e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) foram unânimes ao afirmar que as novas práticas adotadas pelo Brasil em agricultura de baixo carbono têm surtido efeito positivo na preservação e recuperação ambiental.

O chamado Plano ABC, de Agricultura de Baixo Carbono, adotado pelo Ministério da Agricultura desde 2010, está no centro dessas ações. O programa inclui recuperação de pastagens degradadas, integração da lavoura, pecuária e floresta, sistema de plantio direto e florestas plantadas.

Segundo o representante do Ministério da Agricultura, Elvison Ramos, esse tipo de ação fez o país poupar mais de 150 milhões de hectares de área em desmatamento, com os ganhos de produtividade, entre 1976 e 2015. Sobre a agropecuária, explicou que a emissão de gases pelos bovinos hoje já é bastante reduzida.

— Pastagem de alta qualidade é inversamente proporcional a emissão de gases de efeito estufa, principalmente o metano. Porque é uma pastagem que o gado consegue digerir melhor, consegue converter melhor em carne — afirmou Ramos.

Moratória à soja

Outro exemplo de novas práticas vem de uma iniciativa do setor privado: a chamada moratória à soja, na qual grandes empresas firmaram um acordo para não comprar nem financiar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia, desde 2008. De acordo com o gerente da Abiove, Bernardo Pires, os resultados são visíveis.

— Após o pacto, o desmatamento despencou vertiginosamente. Nós temos picos em 1995 e 2004 de quase 30 mil quilômetros quadrados na Amazônia Legal. Atualmente o desmatamento está na ordem de 7, 8 mil quilômetros quadrados.

A senadora Regina Sousa (PT-PI) alertou sobre a necessidade de capacitação de pequenos agricultores.

— Como é que a gente muda isso, se não tem um agente lá de mudança para ensinar essas mudanças para esses pequenininhos? Como é que a gente faz para chegar neles? — questionou.

Presidente da comissão, o senador Jorge Viana (PT-AC), destacou os ganhos do país com o monitoramento que vem sendo feito pelo Cadastro Ambiental Rural.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)