Collor conversará com chanceler sobre relação diplomática com Venezuela e Cuba

Sergio Vieira | 30/03/2017, 13h55 - ATUALIZADO EM 30/03/2017, 14h09

A partir de um pedido do senador Cristovam Buarque (PPS-DF), o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Fernando Collor (PTC-AL), informou ao colegiado que pretende reunir-se com o chanceler Aloysio Nunes Ferreira para tratar da normalização das relações diplomáticas brasileiras com Venezuela e Cuba.

Os dois países retiraram seus embaixadores do Brasil em virtude do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que consideraram "golpe de estado".

Em consequência, o então embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira, também foi chamado de volta pelo governo de Michel Temer. E a representação brasileira em Havana também pode ficar sem um embaixador já nas próximas semanas. Até o momento o governo cubano não se manifestou sobre a indicação do diplomata Frederico Duque Estrada como o substituto de Cesario Melantonio, que está sendo deslocado para a Grécia.

- Reconheço que a posição dos governos de Venezuela e Cuba é unilateral, mas tenho certeza de que o chanceler será sensível e envidará todos os esforços buscando superar esta situação - disse Collor.

OEA

O presidente da CRE ainda confirmou que pretende tratar com Aloysio Nunes sobre a moção em análise na Organização dos Estados Americanos (OEA) que pede a saída da Venezuela da entidade.

Collor afirmou que é contra a retirada do país caribenho, ainda que reconheça que a nação comandada por Nicolás Maduro seja criticada por "setores da sociedade brasileira".

- Crises internas, de ordem política e econômica, não são motivos para uma decisão tão forte. Seria algo desconfortável, na medida do possível nosso país deve agir na construção do diálogo e no relaxamento das tensões em toda a América Latina - defendeu.

Em seu pedido, Cristovam ainda solicitou a Collor que tratasse da normalização das relações com a Coreia do Norte. O Brasil está sem embaixador em Pyongyang a mais de um ano, à despeito da nação asiática manter sua representação aqui normalmente.

Crimes fronteiriços

Durante a reunião, a comissão também aprovou, a pedido de Jorge Viana (PT-AC) e Ana Amélia (PP-RS), a realização de uma audiência pública com autoridades do Itamaraty e do Ministério da Justiça para debater o tráfico de drogas, armas e pessoas nas regiões de fronteira, em razão de disputas entre facções criminosas existentes hoje nesses estados. A data da audiência ainda será definida em comum acordo com os órgãos convidados.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)