Aliados de Dilma pedem suspensão do processo de impeachment

Da Redação | 09/08/2016, 13h42 - ATUALIZADO EM 09/08/2016, 22h03

A sessão que vai decidir se Dilma Rousseff será ou não levada a julgamento foi aberta, nesta terça-feira (9), com uma sequencia de questões de ordem apresentadas pelos aliados da presidente afastada, o que levou a três horas de discussões. Quase todas foram negadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandoswki, que está à frente dos trabalhos.

A primeira delas, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu a suspensão do processo, alegando que um fato novo “gravíssimo” surgiu nos últimos dias.

Ele apontou reportagens recentes publicadas na imprensa nacional sobre a delação premiada de Marcelo Odebrecht, que teria acusado o presidente interino Michel Temer de ter pedido e recebido R$ 10 milhões para o PMDB provenientes de caixa dois, em 2014.

– A operação Lava Jato denuncia empreiteiras que repassaram propinas a partidos em forma de doações eleitorais. Houve apoio financeiro diretamente negociado por Temer. Essa negociação ocorreu em dinheiro vivo. Os fatos são gravíssimos – alegou Randolfe.

O Senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) discordou, alegando que igualmente foram veiculadas matérias dizendo que Dilma Rousseff estava a par de esquemas de doações ilegais com empreiteiras.

– Ela está há mais de 100 dias se defendendo, apresentou 44 testemunhas e teve todas as suas reivindicações acolhidas. Não procede essa questão de ordem e não vivemos numa época em que decisões são tomadas de acordo com interesses de quem está no poder – argumentou.

Com base nas mesmas denúncias contra Temer, o senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a instauração de uma diligência para ouvir os envolvidos, a fim de que os fatos sejam esclarecidos.

– O Senado tem que votar com a consciência de que não está retirando uma presidente honesta e a substituindo por alguém que não tem esse mesmo valor em sua formação – disse.

Ricardo Lewandowski negou os dois pedidos, alegando tratar-se de questões estranhas ao objeto da sessão, que analisa especificamente, conforme ressaltou, a pronúncia da presidente afastada de acordo com a denúncia analisada pela Comissão Especial do Impeachment.

Suspeito

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), por sua vez, voltou a alegar a suspeição do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG). Segundo ela, o parlamentar não poderia ter assumido tal função por pertencer a um partido adversário do PT.

A reação da senadora Simone Tebet (PMDB-MS) foi imediata:

– Isso já foi analisado. O fato de o senador Anastásia fazer parte de um partido não implica necessariamente sua suspeição. Só tem uma explicação para tudo isso: o parecer dele é irretocável e derruba os argumentos políticos do golpe de forma demolidora – argumentou.

O ministro Lewandowski confirmou tal entendimento, lembrando que o tema já havia sido decidido em grau de recurso recentemente.

Contas

Já a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) preferiu questionar o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) não ter julgado as contas da presidente afastada, Dilma Rousseff, relativas aos anos de 2014 e 2015.

Por isso, a senadora pediu a suspensão do processo uma vez que ela ainda poderá ter essas contas aprovadas tanto no TCU quanto pelo Congresso Nacional, o que no entender dela comprometeria a legitimidade da cassação do mandato com base em aspectos da gestão orçamentária de 2015.

O ministro Ricardo Lewandowski lembrou que uma questão de ordem só pode ser usada para análise de comportamento antirregimental, o que não é o caso. Segundo ele, o questionamento de Fátima Bezerra confunde-se com o próprio mérito da matéria, que deve ser decidido pelo Plenário.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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