Senado avalia execução de programa ambiental
Paulo Sérgio Vasco | 01/08/2016, 17h16
Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:
eis o orgulho de uma árvore.
Ser ferido de silêncio pelo vôo dos pássaros:
eis o esplendor do silêncio.
Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:
eis a vaidade dos rios.
Em Gratuidade das Aves e dos Lírios, de Manoel de Barros.
Até o final de agosto, o Senado Verde deve divulgar o relatório do primeiro ano de execução do Plano de Gestão de Logística Sustentável (PGLS), que estabelece práticas de sustentabilidade ambiental e de racionalização dos gastos institucionais e dos processos administrativos. Um dos primeiros frutos do programa foi a implantação da feira de produtos orgânicos, que vem sendo realizada todas as terças-feiras, a partir das 8h30, nos arredores do Espaço do Servidor do Senado.
Nesse primeiro ano de atuação, houve um acúmulo de aprendizado e conhecimento, avalia o coordenador do Núcleo de Ações Socioambientais do Senado Verde, Pérsio Henrique Barroso. Entre os planos futuros do programa, ele destaca a implantação de hortas em alguns espaços que se encontram disponíveis no Senado, além da escolha de uma nova cooperativa de catadores para coleta seletiva de resíduos gerados na instituição, hoje a cargo do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Barroso explica que o serviço médico do Senado já conta com um plano de gestão de detritos, e que a ideia é atingir setores que geram resíduos especiais, a exemplo dos serviços gráficos, e ainda a geração de lixo eletrônico.
Entre outras iniciativas, Barroso diz que a aproximação com a Câmara dos Deputados, no início de 2016, rendeu frutos na melhoria do transporte e na troca de experiências entre os técnicos dos viveiros das duas instituições. Para ampliar a troca de conhecimentos, o Senado Verde busca agora a realização de convênios com o Jardim Botânico e a Embrapa Cerrados, entre outros órgãos de pesquisa.
O Senado Verde surgiu em 2007, mas o programa avançou e, em 2013, deu origem à política ambiental da Casa. O PGLS prevê agenda para uma atuação ambientalmente correta, e suas ações distribuem-se em 11eixos temáticos: material de consumo, serviços de impressão, energia elétrica, água e esgoto, gestão de resíduos, qualidade de vida no ambiente de trabalho, compras e contratações sustentáveis; deslocamento de pessoal, arborização e manutenção de áreas verdes, serviços gráficos e tecnologia da informação.
Outra iniciativa recente do Senado Verde foi a implantação do Carona Solidária, voltada aos funcionários do Senado e também da Câmara. O programa também mantém um viveiro que produz mudas para atender as necessidades do Senado e de outros órgãos públicos, com forma de mitigar o impacto do carbono emitido pelas atividades da instituição. O viveiro, que já recebeu a visita de escolares e de representantes da União Europeia e das Embaixadas da França, Suécia e Reino Unido, já promoveu duas oficinas de horta orgânica em 2016.
O viveiro é uma construção sustentável, concebida a partir de duas premissas básicas: produzir plantas para a implantação e manutenção dos jardins e minimizar as emissões de carbono da instituição. O viveiro adota sistemas sustentáveis, com aplicação de conceitos bioclimáticos de ventilação e iluminação naturais, além do reuso de materiais refugados.
Em sua construção, por exemplo, foram aproveitados vidros temperados descartados de dependências do Senado. Os tijolos, por sua vez, foram todos fabricados com a técnica do superadobe, que utilizou a própria terra retirada do local onde hoje está localizado o viveiro, que conta ainda com treliças de telhado fabricadas com tubos de papelão, e com o uso de madeira de reflorestamento.
O viveiro conta ainda com sistema de aproveitamento da água da chuva (na irrigação e descarga), tratamento das águas cinzas e negras (esgoto), reúso da água e aquecimento solar. A energia produzida no local é suficiente para garantir o funcionamento da unidade, e o excedente é enviado para consumo do setor de transportes.
A exemplo de outras iniciativas de proteção ambiental, o Senado Verde tem como lema os cinco erres (5Rs), ou seja, os cinco verbos que devem ser conjugados com precisão no que diz respeito à gestão de resíduos: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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