Senado presta homenagem ao fundador da Rede Sarah destacando excelência de seu legado
Da Redação | 15/06/2015, 17h07
A afirmação de que é possível fazer saúde pública com qualidade e respeito ao cidadão foi pontuada por diversos oradores durante sessão especial do Senado nesta segunda-feira (15), em homenagem ao médico e cientista Aloysio Campos da Paz Júnior, fundador da Rede Sarah de Hospitais, falecido em janeiro deste ano.
O ato foi também uma celebração aos 55 anos de inauguração do Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, em Brasília, núcleo da rede especializada em neurorreabilitação hoje presente em nove capitais brasileiras. Dirigiu a sessão o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), primeiro propositor do requerimento para a realização da sessão especial.
— Aprendi com ele [Campos da Paz] o que eu costumo definir como sendo saúde pública: o hospital público é aquele em que você não fica na fila para ser atendido mais do que é preciso e do qual você não sai doente nem mais pobre — afirmou Cristovam.
Participou da mesa da sessão o ex-senador e ex-presidente da República José Sarney, amigo de longa data de Campos da Paz, citado como um dos grandes apoiadores de sua obra. Junto a ele, estava a viúva do homenageado, Elsita Lorlai Coelho Campos da Paz.
Também compuseram a mesa a presidente da Rede Sarah, Lúcia Willadino Braga; o presidente do Conselho de Administração da Associação das Pioneiras Sociais; o ex-presidente do Tribunal de Contas Carlos Átila; e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence, que já integrou o conselho da mesma associação, a fundação que instalou e comanda a Rede Sarah.
Humanismo
Primeiro a discursar, o senador Telmário Mota (PDT-RR) afirmou que a homenagem prestada à instituição e a seu fundador era um ato modesto em comparação com “os grandes serviços que prestaram ao país”. Para traduzir o espírito humanista de Campos da Paz, registrou uma frase que notabilizou o criador da Rede Sarah: “Não admito chá de erva doce para pobre e tomografia computadorizada para rico”.
Wellington Fagundes (PR-MT) disse que a Rede Sarah é responsável por uma das mais notáveis gestões da saúde pública no Brasil, capaz de competir com as grandes unidades de saúde de todo o mundo. A seu ver, é uma das instituições que aumentam o “orgulho de ser brasileiro”.
— É a prova inquestionável de que se pode fazer medicina pública e de qualidade em nosso país, com absoluta seriedade, aprumo tecnológico e, sobretudo, uma fundamental dose de humanismo — disse Wellington.
Boa impressão
Ana Amélia (PP-RS), subscritora do pedido da homenagem, recordou a primeira vez que esteve no Sarah, em Brasília, há mais de 25 anos, em vista a um jovem paciente que ficara tetraplégico e se encontrava em tratamento. No jornalismo à época, a senadora disse que ficou impressionada com a organização, a disciplina e o atendimento igualitário e cuidadosamente prestado.
Depois, a senadora relatou o teor de mensagem que enviou a Campos da Paz: "Dr. Aloysio, acabo de visitar o Sarah e falo como contribuinte. Eu gostaria que o imposto que eu pago fosse sempre aplicado dessa forma, que todas as instituições de saúde pública de nosso país fossem como o Sarah”.
Hélio José (PSB-DF), outro que assinou o requerimento, destacou que o país ainda enfrenta graves problemas na área da saúde, inclusive a presente “guerra contra a dengue”, o que demanda pesquisa em vacinas. Assinalou que a rede hospitalar e seu fundador servem de exemplo sobre como agir diante dos desafios que persistem.
— A Rede Sarah de Hospitais e a trajetória individual de profissionais como o saudoso doutor Aloysio nos servem de parâmetro e de inspiração para sempre nos lembrarmos do muito de que somos capazes — afirmou.
A presidente da Rede Sarah, Lúcia Braga, Campos da Paz foi um homem à frente de seu tempo, que sempre achou possível fazer, inclusive o que não existia e também de inspirar a todos a seu redor a “batalhar” pelos mesmos objetivos.
Inconformismo
Carlos Átila, o presidente do Conselho da Associação das Pioneiras, contou que sua aproximação com Campos da Paz ocorreu quando presidia o TCU e foi chamado a tratar de dificuldades impostas à época pelo governo à gestão das fundações. Disse resultou o desenvolvimento de proposta legislativa para destravar amarras burocráticas que, em prejuízo dos resultados, valorizam muito mais a obediência aos processos.
— Aí eu percebi que o Aloysio tinha uma qualidade que talvez fosse fundamental: era o inconformismo. Ele não se submetia a regras que fossem irracionais — disse.
Carlos Átila aproveitou para lembrar que quase cinco anos atrás o fundador do Sarah delegou a gestão da rede para a atual presidente, Lúcia Braga. Disse que a sucessora está conseguindo manter a obra, mas alertou para a necessidade de apoio – sobretudo da classe política – para que a instituição permaneça e siga forte.
— O enorme bem que ele fez está todo hoje nas mãos da Lucinha [a presidente]. Mas, se não houver o apoio decidido da classe política brasileira, aqui representada no Congresso Nacional, a obra pode e corre o risco de não continuar, de não subsistir — alertou.
Perfil social
Sepúlveda Pertence destacou a lealdade da instituição, nas mãos do fundador e na gestão atual, em manter o perfil social de seus serviços. Ele disse que a pirâmide continua mesma, tendo na base a “faixa dos pobres e dos mais ou menos pobres” como beneficiários da excelência de seus serviços, sem deixar de compreender a classe média e ricos.
Para homenagear Campos da Paz também usaram a palavra Suely Pertence, esposa de Sepúlveda, e o ex-deputado federal Osório Adriano. Familiares acompanharam a solenidade, entre os quais netos e filhos de Campos da Paz - Aloysio Campos da Paz Neto, Isabella Campos da Paz e Priscilla Campos da Paz.
A sessão foi aberta com a execução, pelo Coral do Senado, do Hino Nacional, seguido da canção Wave, de Tom Jobim. Essa era uma das prediletas do homenageado, apreciador de música e instrumentista (tocava trompete).
O pedido para a realização da sessão foi subscrito ainda pelos senadores João Capiberibe (PSB-AP), Paulo Paim (PT-RS) e Reguffe (PDT-DF).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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