Senadores criticam 'omissão' do governo brasileiro diante da crise na Venezuela
marcos-magalhaes | 07/05/2015, 15h12
Os senadores de oposição que participaram nesta quinta-feira (7) da audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) lamentaram o que chamaram de “omissão” do governo brasileiro em relação ao desrespeito de direitos humanos na Venezuela. Para eles, o Congresso Nacional deve tomar a iniciativa de questionar o silêncio do Itamaraty diante da implantação do que definem como uma “ditadura” no país vizinho.
Para o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), "já passou da hora de o Congresso brasileiro ser mais afirmativo” em relação ao tema. Em sua opinião, houve uma contradição entre as maneiras como o Brasil reagiu diante das crises do Paraguai e da Venezuela. No caso do Paraguai, recordou, o país foi afastado do Mercosul “sem direito de defesa” depois do impeachment do presidente Fernando Lugo. Em comparação, o governo brasileiro assiste a cenas de desrespeito aos direitos humanos na Venezuela “como se não fosse com ele”.
Depois de ouvir os relatos das esposas de líderes da oposição venezuelana, o senador Lasier Martins (PDT-RS) lamentou o “cenário de terror que vive a Venezuela”. O senador José Serra (PSDB-SP) comparou o silêncio da diplomacia brasileira em relação ao país vizinho ao envio de tropas à República Dominicana pelo então presidente Castello Branco, para atender a um pedido dos Estados Unidos, na década de 1960. Para ele, são dois “episódios vergonhosos” da política externa do Brasil.
O senador José Agripino (DEM-RN) lamentou que a omissão do governo brasileiro estimule o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a prosseguir os desrespeitos aos direitos humanos. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) lembrou ter sido contrário, como relator, ao pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul, exatamente por descumprimento da cláusula democrática do bloco. A senadora Ana Amélia (PP-RS) comparou o assassinato de uma jovem manifestante venezuelana, cuja mãe participava da reunião, com as execuções promovidas por militantes do Estado Islâmico.
O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) pediu desculpas, em nome do povo brasileiro, pela omissão do governo em relação às práticas de desrespeito aos direitos humanos na Venezuela. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) alertou para a necessidade de se defender a democracia na América do Sul, para não ver repetidas no Brasil cenas hoje registradas no país vizinho. Por sua vez, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que o Brasil não pode ficar “silente, inerte e omisso” diante de uma “ditadura cruel”.
O senador Fernando Bezerra (PSB-PE) também pediu “vigilância permanente” em defesa da democracia, mas ressaltou que no Brasil, ao contrário do que ocorre no país vizinho, há liberdade de imprensa, e é “raro um jornal que apoia o governo”. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) recorreu a versos do poeta amazonense Thiago de Mello para confortar as esposas dos líderes de oposição venezuelanos, dizendo que “faz escuro, mas eu canto”.
Chamamento ao diálogo
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) prestou “profunda solidariedade” às senhoras venezuelanas que estiveram na comissão, mas alertou que a “pior coisa que pode acontecer com a Venezuela para o Brasil é aquele país descambar para uma guerra civil”. Por isso, defendeu a busca de conciliação pela diplomacia brasileira. Ao final, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também defendeu a busca de diálogo entre governo e oposição no país vizinho, mas observou que a Venezuela tem “elementos frequentes de aferição da democracia”. Ela também lembrou Thiago de Mello, mas recorreu a outro poema, O Estatuto do Homem, para defender a “luta pela igualdade entre os homens”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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