Alvaro Dias, Ferraço e Cristovam repudiam prisão do prefeito de Caracas
Da Redação | 20/02/2015, 14h47
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou nesta sexta-feira (20) que o governo brasileiro, assim como o Ministério das Relações Exteriores, não pode manter silêncio diante da prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que se opõe ao governo da Venezuela comandado por Nicolás Maduro. Para ele, esse foi mais um ato de violência e autoritarismo de um governo ditatorial que se esconde sob a “vestimenta da democracia”.
— O mundo democrático deve repudiar o ato, já reconhecido como mais uma violência a consagrar o autoritarismo por parte do governo venezuelano — declarou.
O próprio Maduro utilizou cadeia de rádio e televisão para anunciar ao país a prisão do opositor, ocorrida na noite da última quinta-feira (19). Segundo ele, o prefeito foi detido por ordem da Procuradoria, por tentar promover um golpe de estado no país, contando para isso com o apoio do governo norte-americano.
O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), também criticou a prisão. A seu ver, a medida foi um “ato de violação” às liberdades individuais e políticas.
— Vemos com preocupação essa violação aos direitos humanos, à liberdade e à democracia — disse.
Ferraço considera degradante a situação a que outros representantes da oposição estão sendo submetidos pela gestão de Maduro, como Leopoldo López, preso há mais de um ano. O ex-prefeito de Chacao foi apontado como o principal articulador dos protestos ocorridos no país em 2014 e que resultou em mortes e derramamento de sangue. Ferraço lembrou ainda que a deputada Corina Machado, figura expressiva da oposição, teve seu mandato cassado em março de 2014.
Pressão
Alvaro Dias observou que as comissões permanentes ainda não foram constituídas. Não há, portanto, como acionar no momento a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), responsável para analisar o episódio da prisão de Ledezma.
Ele acrescentou que embora o Senado não tenha muito que fazer diante do caso, individualmente os parlamentares podem exigir que o governo se manifeste diante do episódio, adotando “ação firme” para condenar a prisão. Mas o senador avalia que o silêncio não será surpresa pois, segundo ele, os dois últimos governos sempre preferiram “passar a mão sobre a cabeça de ditadores mudo afora”.
— Mas nossa obrigação é exigir que se pronuncie, adotando posição à altura das tradições democráticas brasileiras — afirmou.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também considera necessário pressionar o governo brasileiro a tomar um posição contrária ao ato de Maduro.
No entender do senador, o governo brasileiro deve se manifestar sobre o caso publicamente e pelas vias diplomáticas, mostrando que a população brasileira está preocupada com a democracia em todo o continente.
- Há uma profunda preocupação com os riscos que pesam sobre a democracia com gestos como esse – afirmou Cristovam, que considera a prisão do prefeito um dos gestos mais graves já perpretados pelo presidente Maduro. Na interpretação do parlamentar, ao mandar prender um político pelo simples fato de ser um opositor, Maduro mostra que seu governo é “muito autoritário”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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