Senadores relatam problemas de integração com Argentina e Venezuela

marcos-magalhaes | 06/11/2014, 15h23

Durante o debate sobre a política externa brasileira na Comissão de Relações Exteriores (CRE), nesta quinta-feira (6), dois senadores alertaram para problemas concretos da integração regional experimentados pelos habitantes de seus estados, no Sul e no Norte do país.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que a Argentina prefere importar sapatos da China aos do Brasil. Ela recordou que 750 mil pares de sapato encomendados por empresários argentinos a fábricas do Rio Grande do Sul não puderam atravessar a fronteira por causa da imposição de licenciamentos prévios de importação por parte do governo argentino.

Por sua vez, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) apontou problemas experimentados pelos habitantes de Roraima que cruzam a fronteira para fazer turismo ou negócios na vizinha Venezuela, mais nova integrante do Mercosul.

— Já que a Venezuela entrou no Mercosul, é preciso que tenha respeito ao cidadão brasileiro. Milhares de brasileiros estão presos na Venezuela. Quem vai de carro de Boa Vista à ilha de Margarita sofre achaques e extorsão. As dificuldades no extremo Norte são piores que as dificuldades no Sul — comparou Mozarildo.

Defesa

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) fez uma defesa da política externa brasileira, que havia sido questionada no princípio da audiência, principalmente pelo jornalista William Waack, para quem a política externa não teria objetivos claros e teria se “apequenado” nos últimos anos.

— Faço uma análise completamente inversa. Não acho que se possa dizer que haja uma indefinição ou um apequenamento da política externa. Elementos que temos não apontam para essa direção. Nos últimos 12 anos o Brasil se agigantou e temos claro o que queremos. Queremos fortalecer os blocos para lutar em pé de igualdade com os fortes. Um pais que dirige a OMC [Organização Mundial do Comércio] se apequenou? — questionou a senadora.

Para o senador Antonio Aureliano (PSDB-MG), o governo brasileiro optou pela “dependência política de uma ideologia”, representada principalmente por Venezuela e Cuba. Ele lamentou ainda que o país tenha perdido a sua liderança regional. Por sua vez, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) questionou o grande aumento do número de embaixadas brasileiras em países de pequena expressão, como São Cristóvão e Nevis, no Caribe. O senador Fleury (DEM-GO) recordou as semelhanças entre os processos de criação da União Europeia e do Mercosul.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)