CPI Mista da Petrobras ouve José Carlos Cosenza nesta quarta
Da Redação | 28/10/2014, 20h08
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Petrobras confirmou a realização, nesta quarta-feira (29), da reunião para ouvir o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza. Ele assumiu o cargo no lugar de Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.
O depoimento ocorre em razão da aprovação de dois requerimentos, apresentados pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR) e pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), subscritos pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e outros membros da comissão..
De acordo com Bueno, a expectativa é obter esclarecimentos sobre revelações feitas pela imprensa mencionando o nome de Cosenza e o ligando a condutas consideradas criminosas praticadas pelo doleiro Alberto Youssef (preso sob acusação de prática de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa), por Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) e pelo deputado Luiz Argôlo (SD-BA) — alvo de duas representações no Conselho de Ética da Câmara por quebra do decoro parlamentar em virtude de envolvimento com Youssef.
Já o deputado Carlos Sampaio destaca, em seu requerimento, a demissão recente de vários executivos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, e afirma que Cosenza, “por indicação do PMDB, não caiu”. Registra ainda que o ex-diretor tentou fazer negócios diretamente com a estatal mesmo depois de deixar o cargo, ao enviar uma carta à presidente, Graca Foster, propondo parceria entre a empresa e a REF Brasil, um empreendimento que ele vinha tocando até ser preso e que previa a construção, com recursos privados, de pequenas refinarias de petróleo em pelo menos quatro estados brasileiros. Cosenza teria sido indicado por Foster para tratar do assunto.
O depoimento estava previsto inicialmente para o dia 22, mas José Carlos Cozenza alegou problemas médicos para se declarar impossibilitado de comparecer. Membros da oposição chegaram a duvidar do atestado médico apresentado, já que numa primeira versão, mais tarde emendada, o documento não informava a doença do executivo (hipertensão arterial).
Inicialmente a reunião desta quarta-feira estava destinada para a oitiva do doleiro Alberto Youssef que, entretanto, passou mal na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR), no fim de semana, e foi levado para um hospital, onde continua internado. Antes, Youssef já havia avisado por meio do advogado que pretendia ficar calado. Ele chegou a pedir dispensa da audiência.
A reunião da CPI Mista da Petrobras está marcada para as 14h30, na sala 2 da Ala Senador Nilo Coelho.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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