Debate revela divergências sobre acordo ortográfico

Da Redação | 21/10/2014, 13h10 - ATUALIZADO EM 21/10/2014, 20h54

Debate realizado na Comissão de Educação (CE) expõe divergências quanto à implantação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990 e que deverá estar implantado no Brasil em janeiro de 2016.

Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, defende a adoção das regras previstas no acordo para a uniformização gramatical entre os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial — Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.

Ele nega que o acordo tenha sido rejeitado por Portugal e diz ser compreensível que países que tenham, ao lado do português, línguas locais, como Angola e Moçambique, tenham mais dificuldade em implantar a unificação gramatical.

Já Ernani Pimentel, presidente do Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa, defende a simplificação gramatical com a adoção de critério fonético, ou seja, a escrita das palavras se daria pela forma como se fala.

Para Pimentel, esse sistema tornaria mais simples o processo de alfabetização e atenderia à rapidez da comunicação pela internet, que submete as pessoas a inúmeras palavras novas a cada dia.

Ao discordar do argumento, Bechara afirma que o francês e o inglês são idiomas com gramáticas mais complexas e mesmo assim o ensino dessas línguas é eficiente, devido a boas escolas e professores competentes.

Também participam do debate Thaís Nicoleti, consultora de Língua Portuguesa da Folha de S.Paulo e do UOL, para quem as dificuldades de adaptação ao novo acordo vêm sendo superadas; e Antônio Martins de Araújo, presidente da Academia Brasileira de Filologia, que destacou a necessidade de maior atenção a acentos e hífens numa nova grafia da língua portuguesa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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