Anchieta contribuiu para unidade nacional, diz Dom Odilo Scherer em homenagem ao santo missionário

Da Redação | 21/05/2014, 16h25

O arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, afirmou que o Brasil deve muito de sua unidade nacional a José de Anchieta. O missionário, recém-proclamado santo pelo papa Francisco, recebeu homenagem do Congresso Nacional na tarde desta quarta-feira (21).

Dom Odilo Scherer disse que Anchieta era um integrador, pois na época em que viveu, no século 16, ainda não existia no Brasil uma consciência relativa à necessidade de integração de um território tão vasto.

Anchieta e suas missões ao longo da costa brasileira colaboraram para se criar a consciência da integração nacional, geográfica e populacional do país. Também poderia a ele ser atribuído o título de grande incentivador e colaborador da identidade brasileira - afirmou.

Para Dom Odilo Scherer, além de promotor da paz, por ter defendido a convivência pacífica dos que aqui viviam, José de Anchieta pode ser considerado também o primeiro antropólogo e o primeiro naturalista do Brasil.

- Dedicado à cultura indígena, ele a descreveu e transmitiu conhecimento a esses povos. Foi também atento observador da natureza - disse o sacerdote.

Espírito Santo

O deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) lembrou a importância do homenageado para o estado do Espírito Santo. O caminho percorrido pelo missionário entre a capital, Vitória, e a cidade de Anchieta virou hoje rota de peregrinação e ponto turístico com número crescente de visitantes, assinalou.

- Ele e os jesuítas deram as primeiras contribuições para a organização das estruturas social, cultural e econômica do estado - afirmou o parlamentar.

Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o deputado José Linhares (PP-CE) ressaltaram a contribuição de José de Anchieta na construção da cidade de São Paulo.

- Podemos dizer, 416 anos após sua morte, que a cidade deve sua origem à ação educadora e pastoral de Anchieta - disse Linhares.

Obra e arte

Anchieta nasceu em 19 de março de 1534, em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), mas foi levado para Portugal aos 14 anos. Começou os estudos de filosofia na Universidade de Coimbra e, aos 17, ingressou na Companhia de Jesus.

Em 1553, aos 19 anos, chegou ao Brasil como missionário onde desenvolveu um trabalho de catequese na Bahia, no Espírito Santo e em São Paulo, com especial atenção aos povos indígenas.

Conhecido como "o apóstolo do Brasil", foi o primeiro dramaturgo, gramático e poeta do país, inclusive com obras em línguas indígenas. É considerado, por isso, o pai da literatura brasileira. Morreu em 1597, depois de 44 anos de missão na colônia.

No dia 3 de abril, tornou-se São José de Anchieta depois de ser canonizado pelo papa Francisco. O Brasil tem outros dois santos: Madre Paulina, declarada em 2002, e Frei Galvão, cujo título foi recebido em 2007.

A sessão de homenagem desta quarta-feira foi presidida pelo deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), autor do requerimento para a realização da sessão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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