Congresso celebra vida e obra de Glênio Bianchetti
Da Redação | 06/05/2014, 15h50
O artista plástico Glênio Bianchetti, falecido em fevereiro deste ano, aos 86 anos, foi homenageado em sessão solene do Congresso nesta terça-feira (6). Considerado um dos nomes grandes nomes da arte brasileira contemporânea, ele foi elogiado por parlamentares, amigos e admiradores. A cerimônia, no Plenário do Senado, contou ainda com a presença de sua esposa, Ailema de Bem, filhos e netos.
Nos depoimentos, um ponto comum foi o reconhecimento não apenas dos múltiplos talentos de Bianchetti, mas também de sua dimensão humana, sua visão social e sua coragem. Um dos fatos citados foi seu pedido de exoneração da Universidade de Brasília, onde ingressou em 1962, compondo o grupo de professores mobilizados pelo fundador Darcy Ribeiro. Mesmo com seis filhos para criar, Glênio optou por sair, em solidariedade a colegas cassados pelo regime militar.
- Ele foi um inconformado, uma qualidade que - temos de reconhecer – falta muito hoje em dia, quando as pessoas se acomodam por crerem que não podem mudar as coisas – afirmou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
O senador foi o propositor da homenagem, ao lado do deputado Marco Maia (PT-RS), que é de Bagé, município gaúcho onde também nasceu o artista, em 1928. Maia observou que luz e cores eram elementos destacados nas telas do artista, na qual “revelava sua paixão pelos seres humanos”.
- Apesar de não estar mais entre nós, esse sensível artista vive em suas obras e nas lembranças de todos que se emocionam com sua arte – disse Maia.
Ana Amélia (PP-RS) observou que Glênio era um artista completo, sendo mesmo apontado como “gênio”, dada a diversidade de expressões artísticas que explorou. Além de pintor, ele foi gravador, ilustrador, tapeceiro e desenhista. Para registrar sua admiração, Paulo Paim (PT), também da bancada gaúcha, criou e leu um poema dedicado ao artista, por ele considerado também um “baluarte” dos direitos humanos no país.
Os deputados Eliseu Padilha (PMDB-RS) e Érica Kokay (PT-DF) também discursaram em louvou ao artista, assim como o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira da Silva. À mesa, além da espoca de Glênio, se sentaram os ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence e Carlos Ayres Britto, amigos do artista.
Carreira
Glênio começou sua carreira ainda em Bagé, como autodidata. Já em Porto Alegre, para onde depois se transferiu, ele participou da fundação do clube de gravura da capital, junto a grupo de artistas que cultivavam uma produção socialmente engajada, tratando das classes mais pobres, do trabalho e dos costumes sociais.
Em Brasília, foi um dos responsáveis pela criação do ateliê de arte e do setor gráfico da UNB. Também colaborou na criação do Museu de Arte de Brasília, na década de 1970. Em 1988, após a redemocratização, ele foi reintegrado e voltou a lecionar na UNB.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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