Rollemberg critica aprovação de plano que altera Brasília em grupo técnico
Da Redação e Da Rádio Senado | 13/03/2014, 20h25
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) criticou o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), que, para ele, consiste em agressão à cidade e à qualidade de vida de seus habitantes em nome de “interesses financeiros inconfessáveis”. Ele pediu respeito ao conjunto urbanístico da capital federal, que é patrimônio da Humanidade tombado pela Unesco, e acusou o governo do Distrito Federal de recusar-se ao diálogo com a sociedade civil.
Rollemberg ainda pediu à sociedade e ao Governo Federal um esforço contra a retirada de 90 hectares do campo experimental da Embrapa Cerrados para a construção de um conjunto habitacional. Essa destinação faz parte do texto básico que foi votado, e aprovado, na manhã desta quinta-feira (13), em reunião do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan).
— A população do Distrito Federal está assombrada com a ousadia do governo do Distrito Federal, com a perspectiva de que só se pensa em arrecadar, só se pensa em dinheiro, e não se tem o menor compromisso com a qualidade de vida dessa cidade, com o futuro do Distrito Federal, com o futuro do país — afirmou Rollemberg.
De acordo com o parlamentar, apesar de o PPCUB abrigar em sua sigla a palavra "preservação", deforma Brasília de maneira definitiva, por meio da transformação de terrenos de clubes recreativos em hotéis e da conversão das áreas dos clubes de unidade vizinhança e das escolas classes do Distrito Federal em áreas comerciais. Outro "absurdo", segundo ele, será a destinação da quadra 901 para hotéis.
O senador responsabilizou diretamente a administração petista nas pessoas do governador Agnelo Queiroz e do secretário de Habitação, Geraldo Magela.
— As pessoas já estão até apelidando a dupla de “Magnelo”, uma junção de Magela e Agnelo, pelo mal que estão produzindo para o futuro do Distrito Federal — relatou Rollemberg.
O senador considerou autoritária a maneira como Magela conduziu a reunião, primeiramente ao impedir a presença no local de representantes da sociedade e civil e, depois, ao cercear o debate da matéria.
Rollemberg também leu manifesto de um grupo de conselheiros que acabaram se retirando do grupo técnico encarregado de examinar o PPCUB: o representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil Distrito Federal (IAB-DF), Tiago Teixeira de Andrade; a representante do Instituto Histórico e Geográfico Distrito Federal, Vera Ramos; e o representante da Universidade de Brasília (UnB), Benny Schvarsberg. Foi lida igualmente uma carta pública em defesa da área de pesquisas da Embrapa enviada a Agnelo pela presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, e pelo Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis.
— Não somos contra o núcleo habitacional. Somos favoráveis. Entendemos apenas que não deve ser colocado numa área onde pesquisas que estão sendo realizadas há 30 anos serão interrompidas — assinalou o parlamentar.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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