Livraria do Senado tem coletânea de pioneiro em quadrinhos
Augusto Castro | 31/01/2014, 18h10
Ainda é possível adquirir a coletânea produzida pelo Senado das obras do quadrinista Angelo Agostini, italiano naturalizado brasileiro que publicou, a partir de 30 de janeiro de 1869 (quase um século e meio atrás), As Aventuras de “Nhô-Quim”, ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira de longa duração e uma das primeiras em âmbito mundial. A história foi publicada pela revista Vida Fluminense até janeiro de 1872, com algumas interrupções, totalizando 14 capítulos.
Em 1984, a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP) criou o Dia do Quadrinho Nacional, que é comemorado, desde então, em 30 de janeiro. No ano seguinte, a AQC instituiu o Prêmio Angelo Agostini, a principal premiação para autores e desenhistas de quadrinhos no Brasil.
Em 2002, a Secretaria Especial de Editoração e Publicações (Seep) do Senado publicou a coletânea As Aventuras de Nhô Quim & Zé Caipora – Os Primeiros Quadrinhos Brasileiros (1869-1883), pesquisada e organizada por Athos Eichler Cardoso.
A obra apresenta, na íntegra, os 14 capítulos de Nhô-Quim e os 75 capítulos de Zé Caipora, outro personagem criado por Agostini e publicado nas revistas: Don Quixote, Revista Ilustrada e O Malho. A coletânea, que tem 200 páginas, ainda está no catálogo da Livraria do Senado e pode ser adquirida pelo site por R$ 30.
Boa parte das histórias teve de passar por longo e cuidadoso trabalho de restauração digital para que pudesse ficar legível na publicação do Senado.
Nhô-Quim foi criado por Agostini como um caipira rico e muito ingênuo que chega à cidade do Rio de Janeiro, ainda capital do Império. O personagem, por meio de sua ingenuidade e ao longo de várias situações cômicas, tece seguidas e irreverentes críticas abordando problemas urbanos, modismos, costumes sociais e políticos da época. Zé Caipora também nasce como herói cômico, mas como teve longa publicação, de 1883 até 1906, o personagem urbano passa também por uma fase aventureira e outra romântica.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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