Ferraço justifica sua atuação no episódio de ingresso do senador boliviano no Brasil
Da Redação | 29/08/2013, 11h25
Na abertura da reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), nesta manhã (29), o presidente do colegiado, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) prestou esclarecimentos sobre sua participação no episódio que resultou no ingresso no Brasil do senador boliviano Róger Pinto Molina. O político estava na embaixada brasileira na Bolívia há mais de um ano. O Brasil já havia concedido asilo ao senador, mas o governo boliviano retardava a concessão de um salvo conduto.
Ferraço observou que a vida humana possui “valor absoluto” e que, na situação em que Molina se encontrava, em condições frágeis de saúde, sua vida estava em risco. De acordo com Ferraço, o que poderia acontecer era sua morte por “enfarto, um derrame ou mesmo um suicídio”.
Por convenções internacionais, lembrou Ferraço, toda pessoa vítima de perseguição tem o direito de buscar asilo. Se o pedido é aceito, conforme o senador, a consequência natural é a concessão do salvo conduto.
Como a permissão não foi concedida, o embaixador substituto, Eduardo Saboia, levou Molina de carro até a fronteira com o Mato Grosso do Sul, acompanhado de fuzileiros navais brasileiros. Em Corumbá, o senador pelo Espírito Santo aguardava o parlamentar Boliviano para trazê-lo a Brasília, o que foi feito num avião particular providenciado por Ferraço.
Ferraço também fez apelo para que Eduardo Saboia, funcionário do Itamaraty que organizou a evasão de Molina, não tenha sua carreira prejudicada. Em sua opinião, deve haver o reconhecimento de que a atuação de Saboia permitiu que uma vida fosse salva.
Para Ferraço, a forma como o funcionário agiu foi “heterodoxa”, podendo ser considerada “fora da curva”. Mas a própria situação de Molina na embaixada era igualmente “fora da curva”, na avaliação do senador. Em sua opinião, a “indiferença” do Itamaraty em relação ao caso contribuiu para aquele desfecho.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) manifestou apoio a Ferraço. Já Cristovam Buarque (PDT-DF) ponderou que, apesar do valor do gesto humanitário de Saboia, um diplomata não poderia, por ato pessoal, resolver um assunto de Estado. Para o senador, o episódio afetou a credibilidade da diplomacia do país.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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