Wilson Campos: Ditadura voltou a cassar um parlamentar depois de cinco anos

Simone Franco | 19/12/2012, 22h48

Cinco anos depois de ser editado, o Ato Institucional nº 5 voltou a ser usado para cassar um parlamentar. Em 1º de julho de 1975, o Poder Executivo cassou o mandato e suspendeu os direitos políticos por dez anos do senador da Arena por Pernambuco Wilson de Queiroz Campos.

Dezenas de cassações por motivação política foram realizadas com base no AI-5 entre 1968 e 1970. Seis anos depois do momento de maior endurecimento do regime, quando líderes políticos já estavam concentrados no projeto de distensão "lenta e gradual" anunciado pelo presidente Ernesto Geisel, o Congresso voltou a ser atingido pela Ditadura Militar.

O episódio ocorreu dois dias após o Senado ter absolvido Wilson Campos - por 29 votos a favor e 21 contra - da acusação de envolvimento em tentativa de extorsão e corrupção eleitoral. A decisão do Plenário seguiu o parecer da comissão especial encarregada de investigar o caso, que recomendou o arquivamento do processo por insuficiência de provas.

Caso Moreno

A cassação foi motivada por denúncia contra Wilson Campos feita pelo industrial pernambucano Carlos Alberto Menezes de Sá, dono do Cotonifício Moreno, que acabou falindo. O empresário enviou ao Senado a gravação de uma suposta conversa entre ele e o senador, na qual o parlamentar negociaria a liberação de crédito pelo Banco do Estado de Pernambuco em troca de pagamento irregular.

O Senado não viu provas suficientes para encerra o mandato de Wilson Campos. Mesmo assim, ele, o industrial Carlos Alberto Menezes e o então diretor do Bandepe Romero do Rego Barros tiveram seus direitos políticos suspensos por dez anos por ato baixado pelo presidente Geisel.

Licença e renúncia

Disposto a provar sua inocência, Wilson Campos entrou com ação penal contra Carlos Alberto Menezes e se recusou a renunciar ao mandato de senador, conquistado na eleição de 1970. Após sua absolvição pelo Senado, chegou a cogitar tirar uma licença do cargo, segundo noticiaram, à época, a Revista Veja e o jornal Folha de S. Paulo.

A exemplo dos demais parlamentares cassados pelo regime militar, Wilson Campos foi beneficiado pela Lei de Anistia, sancionada pelo último presidente militar do país, o general João Figueiredo. Seu retorno à cena política aconteceu em 1982, quando foi eleito deputado estadual por Pernambuco. Também conquistou três mandatos de deputado federal nos anos de 1986, 1990 e 1994. Wilson Campos morreu em Recife, em 2001, aos 76 anos. Ele era pai do também ex-senador Carlos Wilson (1950-2009).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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