Reforma administrativa é retirada de pauta e pode ser votada na próxima quarta

Anderson Vieira | 04/04/2012, 11h58

A votação da reforma administrativa do Senado (PRS 96/2009) deverá ser realizada na próxima semana. Na manhã desta quarta-feira (4), o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), retirou a matéria da pauta da reunião do colegiado em virtude da ausência do relator Benedito de Lira (PP-AL).

– Nos últimos dias, foram recebidas emendas que precisam ser analisadas pela relatoria. E, como se trata de um assunto complexo e polêmico, não tenho alternativa a não ser retirá-lo de pauta. Na próxima quarta-feira, poderemos ouvir o relator – explicou Eunício. 

Na próxima semana, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) também deverá defender seu voto em separado sobre o projeto. Essa proposta alternativa contempla uma redução na estrutura da Casa maior que a defendida por Benedito de Lira, mas só entra em votação se o relatório de Lira for rejeitado. 

Histórico da reforma administrativa:

* As mudanças na estrutura administrativa do Senado foram propostas inicialmente em 2009 pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que encomendou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) um estudo sobre o tema. 

* No mesmo ano, a Mesa apresentou o projeto de resolução 96/09, acolhendo as propostas da FGV com contribuições de outros setores do Senado.

* Em 2010, foi formada uma primeira subcomissão ligada à CCJ, tendo o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como relator. O documento produzido por ele não chegou a ser votado pelo colegiado.

* Em 2011, uma nova subcomissão foi formada. Depois de audiências públicas e de debates com dirigentes do Senado, a subcomissão aprovou o substitutivo do relator Ricardo Ferraço (PMDB-ES) em 6 de julho.

* O exame da matéria passou então para a CCJ no fim de 2011, com Benedito de Lira (PP-AL) como relator, depois que o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) declinou da indicação.  Em 13 de dezembro, Lira apresentou seu relatório.

* Em março deste ano, a matéria voltou à pauta da CCJ, quando Benedito de Lira apresentou uma “complementação do voto”.  Para conhecer melhor as propostas, o senador Ricardo Ferraço apresentou pedido de vista.

* No dia 28 de março, Ricardo Ferraço continuou defendendo uma proposta alternativa e apresentou um voto em separado.

Algumas das propostas do relatório do senador Benedito de Lira:

* Redimensionamento do número de terceirizados, com corte de 30% no número de contratados;

* Fixação de 12 cargos em comissão por gabinete, com possibilidade de desdobramentos para nomeação de até 55 auxiliares;

* Lotação de no máximo cinco servidores efetivos em cada gabinete;

* Criação de serviço de fonoaudiologia, com dois cargos sendo preenchidos por concurso público;

* Estabelecimento de oito cargos em comissão (de livre nomeação) para os gabinetes das lideranças partidárias e dos membros da Mesa. No substitutivo de Benedito de Lira apresentado em dezembro, eram apenas quatro cargos.

* Desmembramento do Serviço de Pesquisa e Atendimento ao Usuário, com a criação de um serviço de pesquisa voltado a apoiar as atividades fins do Senado;

* Manutenção do Programa Interlegis. 

Algumas propostas do voto em separado do senador Ricardo Ferraço:

* Redução do número total de cargos em comissão (livre nomeação) de 1.499 para 1.219.

* Redução do número de funções comissionadas de 2.072 para 907;

* Nos gabinetes, redução do número máximo de cargos de livre nomeação que podem ser providos por meio do chamado desdobramento dos atuais 79 para 25;

* Redução de sete para cinco do número de funcionários do quadro permanente que pode servir em um gabinete;

* Determinação para a realização de um estudo dos serviços terceirizados contratados, com meta de redução de 30% do volume atual de mão-de-obra contratada;

* Autorização para que a chefia de gabinete seja ocupada tanto por servidor efetivo quanto por comissionado para que o senador possa nomear pessoa de sua absoluta confiança para o cargo mais importante de seu mandato; 

* Prazo de 180 dias para que o Senado apresente estudos e análises sobre a Secretaria Especial de Editoração e Publicação (Gráfica), sobre a Secretaria Especial de Informática (Prodasen), sobre a Secretaria de Assistência Médica e Social (Sams), sobre a Secretaria de Biblioteca e sobre a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secs). 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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