Seleção brasileira de futebol poderá atuar pela paz nas Coreias

Da Redação | 24/11/2011, 12h36


Assim como atuou em favor da paz no Haiti, a seleção brasileira de futebol poderá entrar em campo no próximo ano para aproximar as duas Coreias. A sugestão foi feita pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e prontamente aceita pelo embaixador designado para a Coreia do Norte, ministro de segunda classe Roberto Colin, cuja indicação para o posto obteve, nesta quinta-feira (24), parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Após lembrar que a seleção brasileira foi campeã em 2002, durante Copa do Mundo realizada na Coreia do Sul e no Japão, o senador observou que a popularidade dos jogadores naquela região poderia ajudar a reduzir a tensão atual entre a Coreia do Sul e a do Norte. Ele sugeriu, então, que a equipe brasileira participasse de duas partidas contra um time misto das duas Coreias: uma em Seul e outra em Pyongyang, respectivamente capitais da Coreia do Sul e da Coreia do Norte.

- O Brasil está em boas condições para promover ações que signifiquem uma aproximação das duas Coreias - disse Suplicy.

A sugestão foi prontamente aceita por Colin, desde 2007 ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Berlim. Ele relatou haver conhecido, durante campeonato de futebol feminino na Alemanha, o ministro de Esportes da Coreia do Norte, com quem já conversou sobre a possibilidade de cooperação na área esportiva.

- Pretendo me empenhar nesse projeto do jogo de futebol. Quando falamos do esporte como meio de aproximar países, é sempre bom lembrar a diplomacia do ping pong, que ajudou a promover o diálogo entre os Estados Unidos e a China - comparou Colin, cuja indicação teve como relator o senador Luiz Henrique (PMDB-SC).

O embaixador indicado para Pyongyang previu que o ano de 2012 deverá ser bastante importante para a Coreia do Norte, que atualmente enfrenta a oposição de diversos países a seu programa de desenvolvimento de energia nuclear. No próximo ano, recordou, comemoram-se os 100 anos de nascimento do fundador e "presidente eterno" da Coreia do Norte, Kim Il-Sung.

Nessa oportunidade, poderá ser divulgado o nome do sucessor do atual líder daquele país, Kim-Jong Il, filho de Sung. O mais provável sucessor é Kim Jon-um, filho de Kim-Jong Il. No entanto, o embaixador indicado afirmou, em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), ser muito difícil prever quando poderá haver uma reunificação das duas Coreias.

Segundo Colin, o Brasil abriu a sua embaixada em Pyongyang, em 2009, com a intenção de "contribuir de maneira positiva para solução da questão coreana". Ele ressaltou ainda que Brasil e Coreia do Norte já contam com um acordo de cooperação técnica, que, a seu ver, tem funcionado bem. Técnicos da Embrapa, informou o diplomata, estão colaborando com técnicos coreanos no aperfeiçoamento das culturas norte-coreanas de soja, considerada principal fonte de proteína naquele país.

Nova Zelândia

A CRE também aprovou a mensagem presidencial de indicação do ministro de primeira classe Eduardo Ricardo Gradilone para o cargo de embaixador brasileiro na Nova Zelândia. O relator da mensagem foi Eduardo Suplicy. Em sua exposição aos senadores da comissão, o diplomata comprometeu-se em retomar as negociações para a assinatura de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Nova Zelândia, além de empenhar-se na criação de uma linha aérea direta entre os dois países e no aprofundamento da cooperação na área ambiental.

Gradilone classificou a Nova Zelândia como um país "distante, belo, interessante e fascinante" e ressaltou a importância da educação para aquele país e também para a relação bilateral. Metade dos brasileiros que se encontram na Nova Zelândia, observou, é composta por estudantes.

Acordos

Na mesma reunião, a comissão aprovou pareceres favoráveis a cinco projetos de decreto legislativo (PDS) contendo acordos internacionais. O PDS 194/11, que teve como relator o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), aprova acordo de cooperação cultural com a Comunidade da Dominica. O PDS 236/11, cujo relator foi o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), trata de acordo com a Guiana para o estabelecimento de regime especial fronteiriço e de transporte nas localidades de Bonfim (RR) e Lethem.

O PDS 243/11, que teve como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) , aprova acordo de cooperação educacional com a Guiné Equatorial. O PDS 286/11, cujo relator foi o senador Sérgio Souza (PMDB-PR), aprova acordo com a Croácia para o exercício de atividade remunerada por dependentes de pessoal diplomático. E o PDS 287/11, que teve como relator o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ratifica acordo de cooperação e parceria com a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.

A comissão aprovou ainda parecer favorável ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 607/11, de autoria de Marcelo Crivella, que torna obrigatória a adição de marcadores químicos nas munições e insumos destinados a armas de fogo. O projeto será ainda examinado, em decisão terminativa, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. 

Para ver a íntegra do que foi discutido na comissão, clique aqui.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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