Paulo Bernardo admite apenas 'arredondar' para R$ 540,00 o salário mínimo

Da Redação | 09/11/2010, 15h51

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi enfático ao defender, nesta terça-feira (9), a aplicação para o novo salário mínimo da mesma política de reajuste dos últimos anos. O máximo de concessão que ele admitiu foi um aumento de R$ 1,85 sobre o previsto no projeto do Orçamento de 2011, de R$ 538,15, de modo a "arredondar" o valor para R$ 540,00. As centrais sindicais reivindicam um mínimo de R$ 580,00.

O ministro falou sobre o assunto após reunião com o relator-geral do projeto do orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF), ao fim da manhã desta terça-feira (9). No encontro, eles trocaram informações sobre a proposta orçamentária, especialmente sobre como chegar aos números definitivos em relação a despesas que ficaram de fora da peça ou foram atendidas com dotações insuficientes.

A política de reajuste defendida pelo ministro prevê aumento com base na inflação do ano anterior ao de vigência do salário mínimo mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Como o PIB de 2009, foi negativo, o projeto do orçamento corrigiu o salário do ano que vem apenas pela inflação, elevando seu valor para R$ 538,15.

Consulta de Dilma

Na entrevista, Paulo Bernardo disse que conversou com a presidente eleita, Dilma Rousseff, sobre a definição do salário mínimo. Conforme o ministro, Dilma se mostrou sensível e chegou a indagar se não poderia ser feita exceção para se chegar a um reajuste sem levar em conta os critérios dos últimos anos. Com base em argumento técnico, ele disse ter respondido negativamente à pergunta da futura presidente e defendeu apenas o arredondamento para R$ 540,00.

- A partir daí, qualquer discussão será política, mas temos que respeitar o acordo atual. Esse ano ele pode não ser bom, mas, no ano que vem, será considerado um [crescimento do] PIB de 8% em 2010 - argumentou o ministro, concluindo em seguida que a decisão, no entanto, será do Congresso.

Segundo Paulo Bernardo, Dilma reconhece a necessidade de evitar o crescimento dos gastos públicos, não propriamente de cortes. Ao segurar as despesas no patamar atual, ela pretende daqui para frente gerar recursos para novos investimentos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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