Sarney participa das comemorações dos 25 anos de redemocratização do Uruguai
Da Redação | 15/07/2010, 13h39
O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney, vai participar na próxima segunda-feira (19), em Montevidéu, do Ato Comemorativo dos 25 anos da redemocratização do Uruguai.
Sarney, o uruguaio Julio María Sanguinetti e o argentino Raul Alfonsín foram os primeiros presidentes de seus países depois das respectivos processos de redemocratização e, juntos, idealizaram o Mercosul, o mercado comum dos países do Cone Sul, que hoje conta também com o Paraguai e poderá contar com a Venezuela caso o parlamento paraguaio aprove seu ingresso no bloco.
Participarão do Ato Comemorativo, além de Sarney e do presidente uruguaio José Mujica, o ex-presidente Sanguinetti, o senador Pedro Bordaberry, secretário-geral do Partido Colorado, Jorge Brovetto, presidente da Frente Ampla e o filho do ex-presidente argentino Raul Alfonsín (falecido em 2009), Ricardo Alfonsín.
Ditadura e Redemocratização
Na metade do século passado, em meio a uma forte crise econômica, grupos de esquerda partiram para o confronto no Uruguai, que era então um dos países com democracia mais consolidada na América do Sul, com dois partidos tradicionalíssimos, os Blancos (Partido Nacional) e os Colorados.
Rico no começo do século XX, graças às exportações de carne e produtos agrícolas, e com nível educacional dos mais elevados, sem analfabetismo, o Uruguai era chamado de "Suíça da América Latina".A crise econômica e a Guerra Fria - que se refletiu em toda o continente, principalmente depois da Revolução Cubana - abalaram o país. O principal grupo armado de esquerda, os Tupamaros (homenagem ao líder inca Tupac Amaru), tornou-se cada vez mais ousado no final da década de 60, promovendo assaltos a bancos, e invadindo festas da aristocracia uruguaia para pintar recados nas paredes (como "ou dançam todos, ou ninguém dança").
Em 1970, os Tupamaros sequestraram o agente da inteligência norte-americana Dan Mitrione, um instrutor de torturas e informações, e o cônsul brasileiro em Montevidéu, Aloísio Gomide. Mitrione foi assassinado, o que levou o governo a endurecer.
Em 1973, o presidente colorado Juan Maria Bordaberry fechou o Senado e a Câmara dos Deputados, com apoio dos militares, declarou guerra aos Tupamaros, fechou a Central Nacional de Trabalhadores, passou a censurar jornais e criou o Conselho de Estado, para legislar. Bordaberry foi afastado pelos militares em 1976, e substituído pelo seu vice, Alberto Demichelli, até que os militares indicaram outro civil, Aparício Mendez. Em 1980, um plebiscito que buscava legitimar o regime foi derrotado por 56% dos votos populares, o que levou a um abrandamento progressivo da ditadura.
Em 1981, assumiu a Presidência o general Gregório Alvarez, que quatro anos depois promoveu o chamado "Pacto do Clube Naval", embora continuasse preso o líder Blanco Wilson Ferreira Aldunate, um dos políticos mais populares do país, além de ser mantido na clandestinidade Líber Seregni, outra liderança pré-ditadura.Seguiu-se, em 12 de março de 1985, uma eleição presidencial direta, em que foi eleito o colorado Júlio Maria Sanguinetti, que deflagrou o processo de redemocratização, com anistia, fim da censura e reabertura do Congresso Nacional.
O Uruguai conservou, durante a ditadura e depois da redemocratização, seus principais partidos políticos, que têm mais de um século, o Colorado e o Blanco ou Nacional, além da Frente Ampla.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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