Para Heráclito, Dilma Roussef precisa dizer o que pensa sobre a divisão dos royalties do petróleo
Da Redação | 19/03/2010, 12h39
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) defendeu em Plenário, nesta sexta-feira (19), que se cobre da ministra-Chefe da Casa Civil e candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, sua posição a respeito da disputa em torno dos royalties do petróleo. Segundo ele, a opinião de Dilma é ainda mais indispensável pelo fato de ter sido na Casa Civil que os projetos que tratam das regras de exploração e distribuição das reservas ganharam formato final.
- Para não se queimar, para não tomar posição nem contra nem a favor do Rio ou do Nordeste, ela se omitiu - afirmou.
Ao abordar o assunto, Heráclito citou nota publicada pelo jornalista Anselmo Gois, em sua coluna no jornal O Globo, nesta sexta. Nela, o jornalista observou que falta conhecer o que pensa sobre o assunto a ministra Dilma - líder na corrida presidencial nas pesquisas no Nordeste e também a candidata de Sérgio Cabral, o governador do Rio de Janeiro, estado mais prejudicado pela emenda da Câmara dos Deputados que mudou a distribuição dos royalties.
- O governador Sérgio Cabral tem todo o direito de cassar a medalha de Ibsen, mas tem que cobrar da candidata que apoia a sua posição - insistiu Heráclito.
O senador se referia ao ato do governador que resultou na cassação da medalha concedida no passado ao deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), como retaliação pela iniciativa da emenda - ao lado de Humberto Souto (PPS-MG) e Marcelo Castro (PMDB-PI) - que reduziu a participação dos estados produtores no bolo dos royalties. Além do Rio, perdem recursos Espírito Santo e São Paulo, em favor de uma repartição de forma mais proporcional entre todos os estados.
- Ninguém está contra a Cidade Maravilhosa, mas precisam entender que temos a obrigação de defender nossas regiões, que sofrem com a maneira insensível com que o governo vem nos tratando - afirmou.
Como solução para o impasse, Heráclito sugeriu que o governo abra mão de metade dos 40% dos royalties do petróleo assegurados à União, conforme projeto que saiu da Câmara e agora está no Senado. Com essa parcela, defendeu o senador, seriam atendidas as reclamações dos produtores. No caso do pré-sal, inclusive, ele salientou que as distâncias geográficas entre esses estados e os locais das reservas são iguais ou quase equivalentes na comparação com outros estados.
Heráclito observou ainda que, na votação da Câmara, muitos deputados de São Paulo votaram a favor da emenda. No seu entendimento, um governo que "pensa no social" e uma candidata com "visão voltada para o futuro" têm também obrigação de, em primeiro lugar, defender políticas de compensação em favor das regiões mais pobres. No entanto, como assinalou, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria confessado, embora com arrependimento, que foi no passado contrário à construção da Ferrovia Norte-Sul - quando era presidente do PT.
- O Brasil vive dessa maneira: as regiões mais ricas com realizações concretas e as outras vivem de promessas e sonhos - disse.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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