'Royalties' do petróleo: Casagrande apela ao bom senso dos senadores

Da Redação | 17/03/2010, 17h03

Após participação em reunião em busca de solução para barrar emenda aprovada na Câmara que tira dos estados produtores as receitas oriundas dos royalties para estados e municípios produtores, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) fez um apelo por uma solução de consenso que possa atender a todos estados.

- A medida aprovada na Câmara desequilibra as relações federativas, representa tensionamento nas relações das unidades da federação. Promove e atinge o principio do respeito aos contratos já firmados. O rompimento do contrato é uma ilegalidade e uma posição que não é a tradição brasileira - criticou.

Casagrande observou que o parágrafo 1º do artigo 20 da Constituição determina que os recursos provenientes da extração mineral em solo ou na plataforma continental são devidos aos estados. Segundo ele, o artigo não especifica e, portanto, não dá tratamento diferenciado a estados produtores e não produtores, o que, avalia, também acarretaria uma inconstitucionalidade.

O senador salientou que, no caso do petróleo, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado no destino, enquanto no caso de outros produtos parte é cobrada na origem. Com isso, avalia Casagrande, já haveria distribuição da riqueza proveniente do petróleo entre estados produtores e não produtores.

- Não ajudar os estados não produtores é derrota para o Brasil. E impor a derrota aos produtores é derrota para o Brasil - declarou, pedindo o consenso.

Casagrande considerou a hipótese de votação da emenda da Câmara, com a vitória dos estados não produtores. Considerou ainda a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar a proposta e, posteriormente, o Congresso derrubar o veto. Mesmo assim, disse ele, existe a possibilidade de os estados produtores recorrerem à Justiça. E ponderou que a solução é buscar o entendimento para uma posição que respeite os contratos firmados e dê tratamento diferenciado a estados produtores e não produtores.

Ele foi aparteado pelos senadores tucanos Papaléo Paes (AP) e João Tenório (AL) e por Romeu Tuma (PTB-SP). Papaléo disse que o governo é responsável pela aprovação da emenda na Câmara e, agora, os governistas no Senado terão de ter bom senso para encontrar um "meio-termo". Já João Tenório salientou que os estados do Norte e Nordeste reagem justamente pela falta de políticas para diminuir as desigualdades regionais.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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